O Brasileiro não quer esmolas, quer DIGNIDADE!


O outrora ético e digno de toda a credibilidade, atual assessor presidencial Frei Betto , em evento para-religioso no Planalto, comparou Lula a Jesus Cristo, com vantagens para o primeiro. Blasfemando, disse: “o programa Fome Zero é a repetição ampliada do milagre da multiplicação dos pães”.

Sem resultado apreciável, toda a programação assistencialista do governo, além de ser precária, insuficiente e contraditória com a política econômica do governo, voltada ao benefício dos jogadores na bolsa de valores e outras fórmulas mágicas parecidas, mas principalmente dos banqueiros, patina em meio a denúncias de corrupção, má-gestão, incompetência e desvios. Cabe perguntar ao ilustre frade: Jesus Cristo faria algo assim?

Diferentemente de Frei Betto, penso que seja mais coerente, como já nos aconselhava Tomás de Kempis, imitar o Cristo, seguir-lhe os passos e os exemplos.

Feita esta importante ressalva, vejamos como Lula segue o exemplo cristão.

No Evangelho, lemos que Jesus é poderoso em obras e palavras; as obras antes das palavras: é assim que se estabelece e se prova o direito de falar – “pelos seus frutos os conhecereis!” Jesus se propôs a fazer e a falar, diz alhures um evangelista e seguidas vezes na Sagrada Escritura, uma ação é também chamada de Verbo...

Se para Jesus Cristo as Obras vinham antes da palavra falada, em Lula as palavras grandiloqüentes – “o maior programa social do mundo”, “todos os brasileiros terão direito a três refeições por dia”, “nunca antes nesse país...”, “esse governo não rouba nem deixa roubar” – vêm antes e em flagrante contradição com as obras praticadas.

No ano passado Lula enviou para o exterior 145 bilhões de dólares. 2004 ainda não chegou a seu final e estima-se até agora o envio de mais de 200 bilhões de dólares! Determinação expressa do FMI acatada pelo Banco Central do Brasil e obedecida por Lula como um escolar que realiza um “dever de casa” – expressão cínica amplamente usada justamente nesta questão.

Sobra pouco para a gestão pública brasileira e isso explica o caos na saúde pública, na educação pública e na segurança pública. Buscando curar câncer com band-aid cria-se o anunciado “maior programa social do mundo” que, na prática, leva os parcíssimos recursos destinados pelo Bolsa-Família à má gestão de Patrus Ananias e dos prefeitos municipais – a maioria correta e honrada, mas alguns realmente abaixo da crítica.

Para cúmulo de escárnio, com as denúncias de desvio, o governo Lula insiste em insultar a inteligência do brasileiro: Patrus promete controlar melhor a destinação da esmola proposta através de cartões magnéticos nas escolas. Escolas que, particularmente quando estão em tal nível de indigência que de fato precisam desta esmola, mal dispõem de provimento de energia elétrica. Menos ainda de computadores...


Retomando o foco

Luiz Gonzaga diz, numa de suas músicas, que “dar esmola a um homem são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão!” A esmola governamental (“bolsa-isso”, “bolsa-aquilo”, “vale-isso”, “vale-aquilo...”) não é apenas inadequada, insuficiente e mal gerida, é um erro conceitual!

Ao invés de gastar tantos recursos em esmolas e propaganda desinformativa, melhor faria o governo investindo em frentes de trabalho, incentivando a produção e melhorando as condições de renda e emprego da população. Estima-se que no governo Lula o número de miseráveis no Brasil aumentou para 45 milhões de seres humanos, com tendência crescente com a política econômica adotada...

Peço licença aos leitores (todos dois) para reproduzir um trecho de um ensaio de Oscar Wilde sobre a esmola e a miséria, dada a pertinência do tema. Escrito na Inglaterra em 1891 é perfeitamente aplicável às condições pátrias deste momento.

" Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido.

Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo.

Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender um homem que aceita as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade.

Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vivem e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura na América não foi uma conseqüência da ação direta dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças a conduta totalmente ilegal de agitadores vindos de Boston e de outros lugares, que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida, que começaram tudo. É curioso lembrar que dos próprios escravos eles recebiam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico da revolução francesa não foi o de que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo."

Oscar Wilde, in “ A Alma do Homem Sob o Socialismo "


Arquivo vivo

Com a publicação das fotos de Vladimir Herzog, jornalista torturado e morto pela repressão durante a ditadura militar, reabriu-se a discussão em torno da reabertura dos arquivos dos antigos órgãos de repressão daquele tempo mais que sombrio.

Já não era sem tempo!

Alguns problemas que me ocorrem:

1) Quantos dados ainda não foram destruídos?

2) Quantos dados serão destruídos quando se perceber que o encaminhamento na direção da abertura dos arquivos é irreversível?

3) Que motivos podem levar alguns líderes petistas a não desejar a revelação daqueles dados?

Possa o Congresso Nacional encaminhar soberanamente esta questão e, com a maior rapidez possível, possibilitar a um sem-número de famílias o fim da tortura suplementar a que vêm sendo submetidas por desconhecer o paradeiro de seus entes queridos.


Será que é só comigo?

Toda a semana algum órgão ligado ao governo anuncia coisas como “crescimento na produção industrial”, “aumento na geração de empregos”, “retomada do crescimento sustentado”, “aumento da procura de regularização do crédito junto aos órgãos de proteção” e até mesmo “aumento na renda média do brasileiro”.

Quem está desempregado ou com o dinheiro mais curto (a maioria da população brasileira, por sinal) acaba tendo problemas inclusive domésticos em função de tal bombardeio da propaganda.

Das duas uma: a maioria das pessoas não é afetada na prática por tais dados ou então há algo de muito errado com tamanho ufanismo otimista...

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 28 de outubro de 2004






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