A novilíngua petista e os desvios de recursos


“Reforma” do judiciário passa pelo Senado Federal

Avançando mais um passo na direção da subordinação brasileira aos interesses estadunidenses, a chamada reforma traz maior distanciamento entre a vida real e o aparelho judiciário.

Aprovada a “súmula vinculante”. Agora, tudo que o Supremo Tribunal Federal decidir se imporá a todos os tribunais da nação, retirando a autonomia dos juízes de primeira instância e simplificando a justiça brasileira, antiga exigência estadunidense na preparação do Brasil para o ingresso na ALCA.

Aprovado ainda o “controle externo do judiciário”, com a criação de um “Conselho Nacional de Justiça” e outro para controlar o Ministério Público.

Através da propaganda, ficamos sabendo que a proposta de reforma nesta direção estava paralisada no Congresso Nacional há mais de 10 anos. O que não ficamos sabendo é que o PT encabeçava os partidos contrários àquela reforma por entendê-la como é: danosa para o país. Agora o PT mudou de lado. Fecha com o FMI, com o grande capital e com os interesses estrangeiros no Brasil, contra o trabalhador brasileiro.


Um pouco de teoria: reforma ou revolução?

Uma discussão freqüente nos meios de esquerda sempre foi em torno da possibilidade de se chegar ao socialismo através de uma reforma da máquina estatal capitalista, sem a necessidade de uma revolução social que impusesse um novo regime.

Desde o início do século XIX, na Europa, “reforma” virou sinônimo de “domesticação do capitalismo”, de medidas voltadas a diminuir a voracidade do capital sobre o trabalho em busca de um estado de bem-estar social. Isto se conquistou, em certa medida, em praticamente toda a Europa, particularmente na Escandinávia – Dinamarca, Suécia e Noruega – por motivos singulares à Região.

Assim como nossa nação vem colocando ideologias européias de maneira diferente no cotidiano pátrio, e disso dá conta amplamente Roberto Schwarz em “Ao Vencedor as Batatas”, também a expressão “reforma” chega ao Brasil na virada do século XX para o XXI despida de seu sentido original.

O trabalhador brasileiro, quando colocado diante da palavra “reforma” sente um calafrio na espinha: “vamos efetuar uma reforma funcional”, diz o patrão e assim ele sabe que perderá salário ou mesmo o emprego.

Quando as autoridades governamentais falam em “reforma” já sabemos de antemão que se efetivará algum tipo de coisa voltada a permitir que o capital avance ainda mais sobre os interesses dos trabalhadores. Se na Europa as reformas trabalhistas impuseram uma gama maior de direitos e participação nos lucros empresariais aos trabalhadores, quando uma autoridade brasileira fala em “reforma trabalhista” já se sabe que haverá a cassação de direitos trabalhistas outrora conquistados.

Agora, “reforma-se” a previdência social para se tributar aposentados e pensionistas, “reformam-se” os tributos para aumentar a carga, lesando ainda mais os brasileiros e “reforma-se” o judiciário para ampliar os direitos do capital e limitar direitos dos trabalhadores...

Outras expressões maltratadas pela “ novilíngua ” petista são “avanços”, que hoje significam “recuos” e “conquistas” que passaram a significar “perdas”. Assim, quando lemos ou ouvimos uma autoridade governamental falar em “avanços do PT” ou em “conquistas dos trabalhadores” não podemos nos esquecer que está falando em novilíngua. Mas esse é outro artigo...


Grupo terrorista COPOM aumenta ainda mais a taxa de juros

Estranho é que, mesmo diante de tamanha agiotagem, um banco, de nome “Santos”, ainda consiga experimentar dificuldades...

Caminhando pelas ruas do país vemos a paralisia, a pobreza e frequentemente a miséria que toma vastas parcelas da população. Segundo levantamentos do IBGE, neste ano e pouco do governo Lula, mais de 10 milhões de brasileiros deixaram o que eles chamam de “classe média” e engrossam hoje as fileiras da pobreza sem fim.

A despeito deste fato, o grupo terrorista chamado COPOM decidiu-se por ouvir não a realidade, o clamor das ruas ou das urnas, mas a propaganda governamental. E como a propaganda dá conta de um crescimento econômico imaginoso, para evitar que a “euforia” faça com que o consumo aumente e, com ele a inflação, diante da necessidade, antes e acima de tudo, de manter a inflação nos patamares preconizados pelos professores do FMI, que deram este dever de casa ao governo, decidiram-se por aumentar ainda mais a taxa de juros, para reduzir o ritmo da supostamente acelerada economia brasileira.

Aquele grupo terrorista põe mais uma vez em ação sua violenta arma de destruição de massas brasileiras: a falta de contato com realidade de uma nação que pratica uma das taxas de juros mais elevadas do mundo, cujo governo cobra as mais elevadas taxas de impostos do mundo e presta um dos piores serviços públicos do planeta Terra.


Compre um pelo preço de três

Com as taxas e tarifas escandalosamente exorbitantes, antes de você se decidir por comprar alguma coisa a prestação, pense bem! Há tempos recebíamos a advertência contra compras de eletrodomésticos a prazo: “você terá de comprar um para você e outro para o dono da loja!”. Hoje a advertência é: “você terá de comprar um para você, outro para o dono da loja e um terceiro para o governo”.

É meramente natural que, num tal quadro, as lojas façam tanta propaganda de “ofertas especiais”, “queimas de estoque” e coisas assim. Acredite quem quiser.

A gente consegue, do lado de cá da barricada, somente imaginar o quanto custa a propaganda do governo e de grandes empresas para estimular o consumo mesmo diante de uma realidade tão dura.

Há tempos a classe dominante percebeu que o noticiário televisivo tem maior eficácia que a propagando no formato tradicional – e mesmo esta, fantasiosa, permite à maioria dos brasileiros consumirem miseravelmente as imagens e só isso. Como resultado, em algumas emissoras, dentre elas a maior e mais importante do país, reflete-se unicamente a versão governamental, empresarial ou bancária. Quanto será que isso custa aos cofres públicos – a nós, em última análise? Quanto será que estamos pagando para assistir programas noticiosos que desinformam, fazem propaganda e confundem jornalismo com entretenimento?


Lula desvia recursos da produção para a especulação

Segundo o jornal Opinião Socialista, o governo Lula é o que mais recursos desviou da produção e do social para a especulação. Começou o mandato  aumentando o superávit primário, ou seja, seu compromisso de economizar recursos para pagar a dívida para 4,25%. Isso significa que o governo se compromete a ter “lucro” para garantir o pagamento aos especuladores. Como toda empresa, o governo estabeleceu prioridades, determinando áreas consideradas secundárias para cortar despesas. Logo no início de 2003, o governo Lula anunciou o corte de R$ 14 bilhões à área social. Fechou o ano pagando, só pela União, R$ 70 bilhões de juros. Ao todo, os juros da dívida pública consumiram R$ 145 bilhões.

Enquanto isso, o governo investia míseros R$ 6,9 bilhões, o menor investimento do governo desde 1984, último ano do regime militar, sob comando do general-presidente João Baptista Figueiredo. Naquele ano, Figueiredo investiu a quantia irrisória de R$ 6,1 bilhões. No entanto, uma diferença fundamental se impõe nessa comparação. Em 1984, o governo arrecadava R$ 114 bilhões. Em 2003, a arrecadação do governo ultrapassou os R$ 367 bilhões. Ainda em 1984, Figueiredo pagou R$ 3,7 bilhões de juros. Em 2003, Lula pagou mais de R$ 70 bilhões. Ou seja, em 20 anos, Lula só não ultrapassou o governo Sarney, em 1989, no montante gasto com juros.

Outra grande diferença se impõe. No governo Sarney a carga tributária girava em torno de 10% do PIB. Sob Lula pagamos 40% de tudo o que é produzido no Brasil para custear uma máquina pública cada vez mais ineficiente.


Explicando melhor

Quando Lula falou, a propósito da dificuldade em fazer passar a emenda da reeleição de João Paulo Cunha para a presidência da Câmara, que “não se faz uma omelete sem quebrar alguns ovos” estava usando de mais uma de suas metáforas. Não era para o povo entender ser necessário jogar ovos nele como se tornou moda fazer por onde ele passa...

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Novilíngua: expressão cunhada pelo escritor britânico Eric Blair (mais conhecido sob o pseudônimo George Orwell) no clássico “1984” para referir-se a um novo dicionário voltado a uma simplificação lingüística ampliando o controle estatal sobre corações e mentes na sociedade totalitária que imaginara no romance, hoje considerado tímido diante da realidade brutal que vivemos neste século XXI.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 18 de novembro de 2004






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