De volta ao feudalismo

 

Burlando o compromisso assumido com o povo nas eleições de 2002, o governo brasileiro se comprometeu com o FMI e agentes financeiros nacionais a desviar um montante cada vez maior da produção para pagar os juros de uma dívida (interna e externa) que cresce exponencialmente, particularmente em função dos sucessivos aumentos nas taxas de juros, no Brasil e nos EUA. Como resultado, o poder aquisitivo do trabalhador brasileiro está cada dia mais aviltado. Desempregados e miseráveis estão relegados à recepção de uma esmola oficial insuficiente e ineficaz.

No final do ano passado o governo anunciou com alarde a decisão de reduzir o imposto de renda da pessoa física em 10% com um modestíssimo reajuste (em nada condizente com os aumentos havidos nos últimos 10 anos) nos descontos possíveis por dependentes, educação e tratamentos de saúde.

O começo de 2005 traz a marca de mais um aumento, que não foi anunciado mas consta da Medida Provisória de 30 de dezembro passado, que aumenta para 40%, o imposto de renda de profissionais liberais, prestadores de serviços (médicos, advogados, dentistas, encanadores, cabeleireiras, pedreiros, etc.). Os custos, “naturalmente”, serão repassados aos usuários (todos nós).

Serão portanto 40% para o governo federal, mais as tarifas de praxe para o governo estadual (como o ICMS, que está em 25%) além daquelas municipais (como o IPTU). O gigantesco montante de recursos arrecadados pelo governo mais voraz do mundo não é empregado no aprimoramento dos serviços públicos de saúde, educação e segurança entre outros, mas irão para amortizar somente parte dos juros da dívida cada vez maior.

Como resultado, o brasileiro trabalha 8 meses em cada 12 para ter serviços básicos de razoável qualidade. 4 meses são gastos em impostos diretos, mas, como estes não revertem em nada a favor de quem os paga, temos de trabalhar mais 4 meses para que possamos pagar serviços particulares de saúde, educação e segurança. A maioria dos brasileiros relega a segundo plano ou a plano nenhum despesas com estas rubricas, caindo num sistema educacional propositadamente sucateado e um sistema de saúde igualmente precário.

Sem paralelo no mundo contemporâneo, este exagero de tributação em nosso país só encontra termos de comparação na Talha, na Corvéia, no Dízimo e nas Banalidades da era feudal.

Eu votei e fiz campanha para eleger um governo de mudanças e voltamos à idade média: cada vez que tiro uma nota de R$ 10,00 do bolso, sei que R$ 4,00 são do governo e os outros R$ 4,00 eu tenho de utilizar para pagar pelos serviços que o governo não supre. Os R$ 2,00 restantes mal pagam pelo produto ou serviço de que preciso


E que mais?

O próximo passo será o encaminhamento ao Congresso Nacional da medida voltada a privatizar o Banco Central do Brasil. Devemos a FHC a privatização das telecomunicações e sistema energético no Brasil. A Lula deveremos a privatização de todo o encaminhamento econômico nacional, esvaziando ainda mais a pequeníssima autoridade que a Presidência da República ainda mantinha. Mais grave: o BACEN deverá manter-se sob a liderança do Sr. Henrique Meirelles, um cidadão suspeito de fraude eleitoral, corrupção, malversação de recursos públicos e remessa ilegal de divisas ao exterior. Até por isso nossos congressistas devem aprová-la lesando a nossa e as futuras gerações de brasileiros. Estas e outras deixam-nos cada vez mais descrentes do sistema representativo burguês tradicional.


Propaganda

Aquilo que não passou na TV simplesmente não aconteceu. Até por isso o governo está empenhado em fazer aprovar a censura prévia à TV, Internet e telefones celulares (via ANCINAV): não permitir que passe na telinha contrário aos interesses do grupo palaciano.

A eficácia da propaganda televisiva é espetacular. Tudo é espetáculo. A notícia banalizada e vertiginosa que une em importância uma capivara na praia de Ipanema a um tsunami na Ásia ou um atentado em Bagdá por vezes supera, em espetáculo, a própria novela que busca refletir traços da vida real. Por vezes se encontra mais verdade nas novelas que no noticiário.

Deu na TV que houve um aumento no número de empregos, que o comércio festeja recordes de vendas, que o superávit comercial bateu novo recorde, que o trabalhador tem uma vida cada vez mais confortável, que o programa Fome Zero é um sucesso, que o governo está acertando em tudo e por tudo até quando pensa. Demissões, falências e concordatas não merecem tempo no noticiário televisivo e a própria realidade não passa na TV. Manipulando corações e mentes, vemos a popularidade de Lula e do governo petista em ritmo frenético e crescente, que se reflete nas páginas impressas dos jornais sérios.

Assim caminha o país

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 6 de janeiro de 2005






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