Robin Hood às avessas:
tirando dos pobres para dar aos ricos

 

Quanto mais paga, mais deve

O governo Lula recebeu a dívida em R$ 500 bilhões ao início de seu governo. Ao entrar em janeiro de 2005, apesar de já ter pago mais de R$ 300 bilhões em juros cujas taxas são elevadas mês a mês, a dívida cresceu para R$ 812 bilhões.

Os títulos da dívida governamental se constituem no mais vantajoso de todos os investimentos da história do Brasil. Este o motivo de haver quase nulo investimento produtivo oriundo do exterior, mas um aporte significativo de moeda estrangeira que prefere a aplicação de curto prazo: aplica, recebe o lucro presenteado pelos juros sem iguais no mundo, e leva o dinheiro de volta. O lucro que vai embora é dinheiro que foi pago ao governo sob a forma de impostos. E assim, o povo brasileiro fica mais pobre, endividado e desempregado...


Entre Davos e Porto Alegre

Lula da Silva tem notória habilidade em transitar por ambientes tão distintos quanto o Fórum Social Mundial em Porto Alegre ou o fórum dos ricos em Davos, na Suíça. Em ambos deverá cometer os mesmos discursos: pregação de união contra a fome no mundo e a repetição da tese fajuta de que “outro mundo é possível” dentro do capitalismo.

Dois problemas:

1 – É impossível mudar o mundo sem romper com o capitalismo.

2 – O que dois anos de governo petista tem a apresentar em termos de “combate à fome” no Brasil serve apenas como piada de gosto duvidoso, propaganda enganosa e risinhos contrafeitos dos biliardários em Davos.

Sempre é bom lembrar que em Porto Alegre se enfatizará a necessidade de chegarmos a “um mundo diferente”, mais humano e fraterno. Enquanto isso, em Davos, a ênfase será na necessidade de se manterem elevados superávits primários e taxas de juros extorsivas para remunerar o capital-motel.

Recentes dados divulgados pelo Banco Central (BC) sobre o endividamento do país apresentam uma pequena amostra do que foi a terapia de choque neoliberal. Entre 1998 e 2004, os gastos com os pagamentos de juros e encargos da dívida pública alcançaram R$ 696 bilhões. No mesmo período, o superávit primário gerou uma quantia igualmente espantosa de R$ 316,4 bilhões. Como resultado, a dívida aumentou de R$ 385,9 bilhões para R$ 941 bi...

Nos dois anos de governo petista, Henrique Meirelles, criminoso blindado contra a justiça, mancomunado com seus subalternos imediatos Lula e Palocci, promoveu um brutal aperto no torniquete dos juros. Até a metade do governo, foram pagos R$ 261,8 bilhões dos juros e R$ 152 bilhões – quase 50% do total – foram retidos para fazer superávit. São bilhões de reais desviados da saúde, da educação, da reforma agrária, dos salários dos servidores para engordar os lucros dos banqueiros.


Um governo compartilhado: Lula e FMI

James Petras — professor de Sociologia na Binghamton University (EUA) e autor do livro Contra-Ordem e Neoliberalismo na América Latina, Estados Unidos e Europa concedeu uma entrevista ao jornal Opinião Socialista.

Informa que finalmente o mundo começa a tomar consciência de que se trata de um governo das direitas. Lula tem o respaldo completo do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, dos grandes empresários e dos banqueiros. Muita gente ficou esperando que a política fosse retificada. Estavam totalmente equivocados, porque Lula, ao invés de mudar, está aprofundando sua política.

Sobre a pretensa “recuperação econômica” por que passa o Brasil segundo a propaganda governamental, Petras considera ser meramente conjuntural: seguindo os rumos atuais, provocará uma crise social e política sem precedentes: “Este crescimento expõe a concentração dos benefícios nas mãos da grande burguesia e dos banqueiros. Não há uma melhora social para os trabalhadores. Veja, entre 2003 e 2004 o número de milionários no Brasil aumentou de 78 mil para 86 mil. Enquanto isso, o salário mínimo permaneceu quase igual (ao redor dos U$ 78), abaixo do Paraguai e do da Argentina. O MST já chamou Lula de traidor, que é uma mudança na caracterização do governo.”

Finaliza a entrevista considerando:

“Apesar da concorrência acirrada de FHC, o governo Lula é o mais entreguista na história do Brasil, pelo menos nos últimos 50 anos.”


Armadilha Neoliberal: e as Alternativas para a América Latina  JAMES PETRAS

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 25/01/2005






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