Combatendo a violência no gogó

Depois de se persuadir que a história do Brasil começa com a sua eleição para a Presidência da República, Lula agora combate a violência com discursos, da mesma forma que seu vice-presidente, os ministros, deputados e senadores petistas combatem a política econômica que seu próprio governo pratica. Só nos discursos.

Para os trabalhadores rurais prometeu realizar a Reforma Agrária. Para os latifundiários não realizá-la. Cumpre metade do prometido e ataca verbalmente aqueles que tanto favorece na prática.

Sem ir até o Pará (Falta de aeroporto onde pousar o Aerolula), discursando em Campo Grande (MS) dia 22 de fevereiro, a respeito do assassinato da irmã Dorothy Stang, Lula declarou o fim da impunidade: “acabou a impunidade neste país!”. Estranho. Está no poder há dois anos e dois meses, a meros um ano e dez meses do final de seu primeiro mandato e só agora decreta isso? Mas qual é mesmo a eficácia prática desta declaração presidencial?

Não me iludo que ele não se reelegerá. A capacidade de mobilização da máquina estatal para suprir os interesses da pessoa do governante está suficientemente estabelecida. Tampouco vou fazer contagem regressiva. Não tem trazido boa sorte.

Mas a Presidência da República está impedida de ampliar o que a autoridade econômica classifica como “gastos” e a oposição como “investimento” em segurança (saúde ou educação nem se cogita, pois estas rubricas ainda não foram motivo de escândalo internacional). Usando somente a estrutura de segurança que herdou, degradada pelo desgaste do tempo e pela falta de investimentos no setor nos últimos anos, como acreditar que se fará algo diferente ou mais efetivo que discursar?

O FMI

Seria muito importante o Brasil repensar sua associação com este organismo internacional. Quem de nós – que não os políticos tradicionais –, sendo sócio de um organismo qualquer que só trouxesse despesas e desespero para a gente, teimaria tanto em permanecer nele?

A questão não é meramente de permanecer dentro do FMI, na condição de associado minoritário e exclusivamente pagante, como o Brasil. Independentemente de se firmar um novo acordo com o Fundo ou não, basta de seguir o receituário econômico daquela entidade, que vem destruindo a economia de tantos países ao longo de tantos anos!

De tanto o governo brasileiro implorar e mendigar, o FMI resolveu autorizar algumas despesas “a serem monitoradas, a título experimental”. Insuficiente para o que o Brasil precisa, provavelmente suficiente para ganharem a reeleição. Sem mencionar que a expressão “soberania nacional” há muito perdeu o sentido.

Curioso que o PT pregou contra os acordos com o FMI desde a sua fundação. Ao chegar ao poder, exerce outro tipo de prática e de discurso, excetuando-se uns trinta deputados petistas que ainda falam contra o Fundo quando em frente ao seu eleitorado, mas se mantêm firmes na base de apoio ao mesmo governo de que – dizem – discordam. Estranha discordância...

Um país de todos ...os banqueiros

Anunciado o lucro do Banco Itaú. Quase R$ 4 bilhões. Recorde histórico universal. Não temos o direito de errar: nunca antes neste país os bancos lucraram tão alto. Nunca antes neste país se cobraram juros tão elevados. Nunca antes neste país foi tão lucrativo especular nem tão difícil viver com o fruto do trabalho honesto. Nunca antes neste país se enviou tantos recursos para o pagamento da dívida (mais de R$ 100 bilhões por ano, arrancados dos impostos que pagamos) e se gastou tão pouco do Orçamento da União e nunca se gastou tão mal: de um total de R$ 24 bilhões o governo gastou menos de R$ 15 bilhões: Aerolula, salários de companheiros derrotados em eleições locais, etc.

Eleição para a presidência do Banco Central

Uma vez que não se consegue fazer com que a autoridade econômica se submeta à autoridade política, que então possamos eleger diretamente a autoridade econômica. Não parece compatível com a lógica republicana que todos os brasileiros, todas as Instituições Políticas Brasileiras – incluindo aí a Presidência da República – fiquem submetidas a um poder não eleito por ninguém, fruto de acordos de bastidores. Isto leva a uma contradição com os propósitos mesmos que conduzem o Presidente da República ao poder.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 25/02/2005






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