Invertendo posições - PT = PSDB

PT e PSDB são hoje partidos rigorosamente idênticos em ideologia e formas de encaminhamento político e econômico. Discursando em Jaguaré (ES), Lula confessou que acobertou denúncias de corrupção durante o governo FHC alegadamente para não desestabilizar a economia.

Vários dirigentes do PT saíram em defesa do criador do partido. A lógica petista é extraordinariamente similar à lógica tucana: a divulgação de casos de corrupção tenderia a trazer desestabilização para o país; a prática da corrupção, não. Por aí se entende toda a operação “abafa CPI” nos casos de José Dirceu/Waldomiro Diniz e José Dirceu/Celso Daniel, assim como todas as operações voltadas a sepultar propostas similares do PT contra os tucanos no poder de 1995 a 2002.

Os partidos de oposição burguesa (PSDB, PFL e PDT) entraram com medidas na Câmara, no Senado e no Supremo Tribunal Federal censurando e interpelando o presidente para que explique: 1 – Quem era o “alto companheiro” a que se referiu no discurso; 2 – Qual foi efetivamente o caso de corrupção que ele preferiu ocultar; 3 - Por que motivos prevaricou deixando de investigar um crime e 4 – O que o leva a denunciar o ilícito – e de forma parcial – em contradição com sua decisão inicial de ocultá-lo.

O caso está causando grande celeuma entre os políticos brasileiros, mas o mais provável é que, como de costume no Brasil, tudo venha a acabar em pizza com sobremesa de marmelada. Como no tempo de FHC, a tese da “defesa da governabilidade” deverá prevalecer sobre todas as denúncias. Esta operação para abafar as investigações na Câmara sairá cara ao governo – ou seja, a nós, contribuintes –, que terá de ceder mais ao presidente da Câmara do que inicialmente estava disposto a fazê-lo. O STF, por seu turno, se tornou uma espécie de apêndice do Planalto, não deverá trazer qualquer dificuldade a Lula...

Na próxima semana deverá ser anunciada a reforma ministerial e não será surpresa se o PP, partido de Severino Cavalcanti, receber dois ministérios ao invés de um como foi combinado nos bastidores, longe do eleitorado.

Reajuste de 0,1% para o Funcionalismo Público Federal

Em discurso a funcionários públicos no Palácio do Planalto – que o presidente discursa mais do que governa e quando o faz está sempre em contradição com o seu discurso – Lula ergueu o tom em defesa do funcionalismo público, informando que é preciso valorizar salarialmente a categoria, sob pena de perder excelentes quadros para a iniciativa privada.    

No dia seguinte, o Supremo Tribunal Federal determinou que o governo reajuste o salário do funcionalismo público, praticamente congelado há mais de uma década. Embora os cofres públicos brasileiros estejam abarrotados de recursos oriundos dos impostos do governo que cobra os maiores tributos do planeta Terra, a prioridade é o envio destes recursos para a ciranda financeira, portanto não há dinheiro para o reajuste. Contudo, para cumprir a determinação judicial – que não estipulou valores – propõe um reajuste simbólico de 0,1% a funcionários sem reajuste, repita-se, há mais de uma década.

Já os parlamentares e juízes do Supremo, que pretendiam um reajuste de 67% em seus vencimentos vêem gorar o seu propósito diante do gigantesco protesto popular que se ergueu no país inteiro. Menos mal.


Que esquerda?

A grande imprensa trombeteou que a eleição de Tabaré Vázquez para a presidência do Uruguai significava a vitória de “mais um líder de esquerda” na América Latina, alinhando-o a Lula (Brasil), Néstor Kirchner (Argentina), Fidel Castro (Cuba) e Hugo Chaves (Venezuela). O que não foi dito é que sua eleição é tão aplaudida pela Banca Internacional quanto a eleição de Lula no Brasil. A nomeação de Danilo Astori para Ministro da Fazenda uruguaio deixa claros os rumos que o país irá seguir: Vázquez já anunciou um programa assistencialista que levou o apelido de “Hambre Zero” e tem tudo para ser o mesmo que seu similar tupiniquim: um fiasco monumental. Astori, por seu turno, é aplaudido pelo FMI e pelos banqueiros, já sendo considerado o “Palocci uruguaio”.

Tantos anos de luta dos povos brasileiro e uruguaio jogados na lata de lixo da história...


“Reforma” Sindical

A Reforma Sindical, acertada em acordos entre as grandes centrais hoje todas na direita, como a CUT, a Força Sindical, Confederação Nacional da Indústria e todos os sindicatos patronais, será votada pelo Congresso Nacional e traz em seu bojo uma série de violências contra o trabalhador que se resumem em:

1) Aumento de 400% para as contribuições aos sindicatos;

2) Férias remuneradas e 13º salário deixam de ser direitos constitucionais do trabalhador passando a ser “negociados entre as partes”, ou seja, o patrão não paga e, se o trabalhador não estiver satisfeito vale lembrar que estamos com uma taxa de desemprego superior a 20%;

3) O Direito de Greve passa a ser “relativizado”. Qualquer patrão que se julgar lesado por greve pode ingressar na Justiça que, imediatamente a declara ilegal. Na prática é fim do direito de greve no Brasil.

A chamada “reforma” trabalhista que vem por aí traz outras maldades, como o fim da licença maternidade e o fim da multa de 40% por rescisão contratual. A justificativa é de “reduzir o custo Brasil”, curvando nossa Nação ainda mais aos interesses da Banca internacional.

Iniciativa de Lula, dirigente sindical que, embevecido com o poder, mudou de lado

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 03/03/2005 






© Copyright libertad-digital.com





Development Services Network Presence
www.catalanhost.com