Reforma Ministerial, Reajuste dos Militarese a
"esquerda" petista

Reforma Ministerial Pífia

Acabou a ilusão. A reforma ministerial, anunciada há 6 meses, circunscreveu-se a duas pastas e resulta ainda menos que cosmética. Embora esta desculpa para a paralisia do governo esteja descartada, é de se esperar a continuidade dos discursos tão grandiloqüentes quanto inverídicos, paralelamente à subserviência de sempre ao sistema financeiro internacional.

Na Previdência Social sai Amir Lando e entra Romero Jucá – ambos do PMDB. O Ministério do Planejamento – que em outros tempos planejava o desenvolvimento do país e hoje se limita a cortes no orçamento e no salário do funcionalismo público – vago desde que o mole Manteiga foi transferido para o BNDS, vago com a saída de uma das poucas figuras dignas de respeito deste governo, o renomado professor Carlos Lessa, agora será ocupado pelo petista afinado com Henrique Meirelles e Palocci, Paulo Bernardo.

Fica, contudo, a ameaça: “A Reforma Ministerial será retomada em momento oportuno”. Lula decide de maneira indecisa e não decisiva.

Especula-se que essa atitude – descumprindo a promessa de um ministério para o PP de Severino e Maluf – amplie o distanciamento entre a Câmara e o Planalto, beneficiando os brasileiros e dificultando a Lula a aprovação de medidas que aumentam impostos como a 232 ou a 237, aquela especialmente editada para evitar que Marta Suplicy seja processada e eventualmente presa por descumprimento da Lei de Responsabilidades Fiscais.

O governo terá dificuldades, disso não há dúvidas! Mas não devemos nos iludir. O apelo populista, demagógico e pseudo-assistencialista do governo segue deixando Lula com elevadas taxas de aprovação e a oposição de direita ainda não se articulou em torno de um nome forte para competir com o Demônio de Garanhuns com alguma possibilidade de sequer levá-lo a segundo turno. Por outro lado, na política acontece como nas nuvens do céu. Você olha um instante e está dum jeito. Olha de novo momentos depois e está de outro. Vamos esperar mais e ver os desdobramentos

Os militares e a sensibilidade de Lula

Sem reajuste salarial por uma década, os militares tiveram um aboninho de 10% ano passado com promessa de mais 23% em março de 2005. O mês chega e não se fala mais no assunto. Os comandantes das três armas se reuniram com o Vice-Presidente da República e Ministro da Defesa e ouviram dele que “Lula está ‘sensível' para com a situação salarial dos militares.”

Dando-se por satisfeitos, os comandantes militares passaram o recado para a tropa. Lula é uma pessoa sensível, a gente sabe disso. De vez em quando ele chora, e chora tanto que, se suas lágrimas pudessem fecundar a terra, cada uma que caísse ao solo daria luz a um crocodilo! Será que os militares conseguirão pagar as contas de aluguel, água, luz, gás, telefone, supermercado, farmácia, etc. alegando que “Lula é sensível” e mostrando uma foto dele chorando?

Os militares não querem sensibilidade nem choro, presidente, querem Justiça Salarial!

“Esquerda” petista?

Há tempos o Partido (dito) dos Trabalhadores foi ainda mais à direita que o PSDB e o PFL haviam ousado – nunca antes neste país se foi tão longe em defesa do capital especulativo e se avançou tanto contra os direitos do trabalhador. Se, durante a campanha, Lula tivesse anunciado que nomearia o ex-presidente internacional do Banco de Boston e megagângster Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central a ele se subordinando, dificilmente teria sido eleito. Mentiu e atraiçoou quantos nele confiaram.

Além disso, a cada semana pipocam novos escândalos de inépcia, corrupção, incompetência, cooptação, suborno de parlamentares, barganhas, etc. Ainda assim um grupo de deputados federais petistas se auto-proclama “de esquerda” e, a exemplo do Vice Presidente, do Ministro Chefe da Casa Civil e do Ministro do Trabalho, criticam inocuamente a política econômica de Henrique Meirelles a que Lula se subordina. Mas votam com o governo em todas as medidas decorrentes da mesma política econômica da qual alegam discordar.       Menciono claramente dois que me deixam mais frustrado e desiludido: Chico Alencar, com quem tive a satisfação de trabalhar no Rio de Janeiro e Ivan Valente, que conheci superficialmente quando em campanha por aqui. Este último prometeu ao grupo de petistas reunidos (eu ainda era ligado ao partido...) que, na condição de membro da comissão permanente de educação da Câmara, encaminharia o projeto aprovado na Câmara e no Senado à época de FHC, tornando obrigatório o ensino de filosofia e sociologia em todas as instituições de ensino médio do país. FHC a vetou em 2001. Ivan Valente prometeu em 2003 e não cumpriu, bem ao estilo do neo-tucanato petista.

Este grupo mantém um discurso bem próximo da esquerda e logra tapear muitos ingênuos, mas segue firme na base de sustentação do governo neoliberal do PT/FMI. Votaram a favor do PROUNI, que detona com a Universidade Pública e beneficia a privada, votaram a favor da “Reforma” Judiciária, para adequar legislação brasileira à estadunidense preparando nosso país para o ingresso na ALCA como colônia e assim por diante.

Não é possível confiar nesse grupo. Como disse o grande Plínio de Arruda Sampaio – que a exemplo de todos os verdadeiros esquerdistas do Brasil saíram do PT – o Partido já não é mais de esquerda e a luta dos trabalhadores passa por uma reconstrução das propostas da esquerda, somente possível fora do partido.

Esses “rebeldes” do PT aprenderam com o PSDB, tão social-democratas no discurso e neoliberais na prática quanto a “esquerda” petista, que o eleitorado acredita e vota mais a partir dos discursos proferidos do que pela prática política do postulante...

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 23/03/2005

 




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