EUA jamais cumpriram as metas do FMI

Primeiros a determinar metas de superávit primário, os EUA convivem com um déficit que gira em torno de 4% de seu gigantesco PIB. Constituem-se ainda no país que mais deve dinheiro (interna e externamente) em todo o planeta.

O país mais endividado do mundo não se submete ao controle de nenhuma entidade, não cumpre metas de inflação ou de superávit primário e menos ainda arrocha seus cidadãos com impostos extorsivos. Residiria aí o segredo de seu enorme sucesso?

Lastreados no enorme fluxo de capitais que vêm de outros países, como Brasil e México, fluxo este que chega a US$ 2 bilhões por dia, o mundo inteiro financia a economia norte-americana: uma situação cada vez mais parasitária e artificial. Somos nós, “devedores” eternos do gigante ianque, aqueles que subvencionamos seus enormes gastos, inclusive com as sucessivas guerras pelo mundo afora, que os EUA vivem em permanente estado de beligerância.

Em última análise, o governo Lula deixa de educar nossas crianças, deixa de atender nossos doentes, abandona as estradas ao processo de deterioração e nega recursos a nossos serviços de segurança para priorizar o envio do fruto de nosso trabalho à ciranda financeira internacional num processo irracional e injustificável. Mais irracional e injustificável por ter sido o PT um dos partidos que mais pregaram e informaram a opinião pública acerca deste problema ao longo de 20 anos de sua história – até pouco antes de sua fantástica guinada à direita e sua opção pelo entreguismo do fruto do suor do brasileiro a uma potência estrangeira.

Com os EUA gastando tanto e devendo tanto, alguns analistas apontam na direção da ocorrência de mais uma das crises cíclicas do capitalismo. Talvez a mais grave desde a Grande Depressão da década de 20 do século passado.


O Risco Brasil e o crescimento econômico

Desde que o PT fez a sua opção preferencial pelos ricos, prioriza sua prática na busca da diminuição do risco Brasil. Um banco privado estadunidense, o J P Morgan, determina arbitrariamente o quanto valem os países do mundo e, o que é mais grave, Nações pretensamente soberanas subordinam-se voluntariamente à medição daquele organismo. A tróica maldita Meirelles, Palocci e Lula tomou como meta suprema de todos os esforços econômicos brasileiros demonstrar ao J P Morgan que seguirá sendo esta fonte inesgotável de recursos para a economia estadunidense e permanecerá fazendo a felicidade dos banqueiros e jogadores pelo mundo afora. Aumentando impostos, mantendo taxas de juros estratosféricas e remetendo montanhas de dólares ao exterior a título de amortização de juros da dívida crescente, o Brasil de Lula consegue ver diminuídos o risco país (na avaliação do banco J P Morgan) e o padrão de vida da maioria dos brasileiros, hoje faceando-se a doenças há décadas declaradas erradicadas, como sarna, lepra, Chagas...

Apesar disso, o esforço do trabalhador brasileiro em busca de sua mera sobrevida material é tamanho que o país conseguiu crescer um pouco em 2004. As estimativas de todos os organismos que fazem este tipo de medição pelo mundo afora é de que em 2005 o Brasil, na mais otimista das perspectivas tenha crescimento menor do que a média das nações africanas.

Meirelles e Palocci apresentam as elevadas taxas de juros, a cobrança de impostos escorchantes e o cumprimento integral da cartilha do FMI como principal motivo a garantir o tal “crescimento sustentado”. Vamos colocar os pingos nos “iis”: o Brasil até consegue crescer, mas a despeito da péssima política econômica do governo Lula, não por causa dela!


Nepotismo

“Nepote” é a palavra latina para “sobrinho”. O termo nepotismo começou a ser utilizado há séculos, referindo-se aos jovens favorecidos pelo Papa. Hoje em dia, utiliza-se na acepção de todo favoritismo concedido aos parentes dos governantes, ou seus prepostos.

De vez em quando levanta-se a grita a respeito de políticos que contratam parentes para cargos comissionados. O governo Lula ultrapassou o limite da irresponsabilidade neste sentido. Não há um petista no exercício do “pudê” que não tenha pelo menos dois familiares empregados com salários elevados em ministérios ou gabinetes de parlamentares do partido. Em geral trocas de favores, “você emprega o meu cunhado e eu emprego o seu” ou coisas assim. Como combater este tipo de coisa?

O quadro se repete no Legislativo e no Judiciário. Há um projeto em tramitação no Congresso com vistas a coibir esta prática nociva aos interesses nacionais, lesiva ao bolso do contribuinte. Tenho minhas dúvidas se esta “cruzada contra o nepotismo” terá algum sucesso, mas é interessante acompanhar os desdobramentos deste debate.


Medidas Provisórias na alça de mira

Há duas possibilidades. 1) O Congresso Nacional – Câmara e Senado – chegou ao limite da tolerância possível contra esta prática esquisita de o Executivo legislar através de MP ou 2) Políticos venais buscam elevar o preço de seus passes aumentando a pressão sobre o Executivo, que sempre promete muito e nada cumpre.

De toda a forma parece um processo sadio de que pode resultar uma melhor regulamentação deste tipo de procedimento. Como está, fica parecendo que o Executivo entope o Legislativo de Medidas Provisórias em busca de controlá-lo com maior rigor.

 

Lázaro Curvêlo Chaves
14/04/2005




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