Rede Globo tenta reinventar a história da Televisão Brasileira

Há algum tempo a TV Globo iniciou uma série de reportagens comemorativas aos 40 anos da emissora. Nada contra a celebração. Tudo contra as mentiras contadas!

TV no Brasil não começa com a Globo!

O grande empreendedor que primeiro trouxe a TV para o Brasil e de certa forma a popularizou foi Assis Chateaubriand. Precisamente a 10 de setembro de 1950 foi ao ar Em 10 de Setembro, uma transmissão da TV Tupi (ainda em fase experimental) de um filme em que Getúlio Vargas falava sobre seu retorno à vida política.

Chateaubriand adquiriu 200 aparelhos de Televisão, espalhou-os pela cidade de São Paulo, instalou antenas e ia de vento em popa 15 anos antes de a Rede Globo de Telealienação se formar a partir de uma aliança entre a ditadura militar e o grupo estadunidense Time-Life.

Durante anos a fio assistíamos atentos às notícias leais do “Seu Repórter Esso”, aos seriados “Bonanza”, “Vigilante Rodoviário”, “Rin-Tin-Tin”, “Lassie” e um sem-número de programas educativos, como a “ Vila Sésamo ”, que formou a minha geração! Era um tempo de inocência durante o qual não se ouvia falar em tantos crimes, seqüestros, descaso para com a vida humana e o patrimônio, ninguém sabia o que era inflação, todos tinham emprego e o que era necessário à vida... Saudades...

 

Não havia esses desenhos animados com braços e pernas arrancadas em meio a muito sangue exposto a crianças nas manhãs de nossos dias. Ver nossos rebentos aos cuidados pedagógicos de gente desqualificada como Xuxa Meneghel ou Sérgio Mallandro é uma calamidade! Não admira que cresçam considerando a violência uma coisa natural...

Quantas emissoras de qualidade havia no país antes da Globo... TV Tupi, TV Rio, TV Record, TV Excelsior, TV Cultura de São Paulo...

Coincidência ou não, com o advento da ditadura militar e a ascensão da Rede Globo de Telealienação a vida do brasileiro vem piorando de maneira inimaginável. “Barbárie” é um termo brando para qualificar o que estampam as manchetes dos grandes jornais diários.

O Brasil abandonou o bucolismo de uma sociedade fraterna, solidária e educada e ingressou no mundo da pseudo-modernidade, da maldita globalização de cima para baixo imposta pelo Império Ianque a que Getúlio Vargas, entre tantos genuínos patriotas se insurgiu.

Nasce a Rede Globo de Telealienação

1965, ditadura militar implantada no Brasil. A Globo fecha contrato com o grupo Time-Life, adere ao regime militar (Roberto Marinho jactava-se de “ser um revolucionário de primeira hora”) na deposição do governo constitucional de João Goulart. Os militares compreendem os benefícios de uma TV de alcance nacional que entoasse loas a seus “feitos” e prestam total apoio ao projeto de poder de Roberto Marinho.

Nos porões da ditadura jovens idealistas eram torturados e mortos e seus corpos lançados no meio do Oceano Atlântico (quando não, lançavam-nos ainda com vida, sem possibilidade de sobrevida...). Na telinha da Globo tudo era festa: Carnaval e Futebol...

Exilados políticos sequer tinham o nome mencionado. Eram transformados em “não pessoas”.

Dentro da estratégia do Assassinato Econômico de Nações, já abordado neste espaço, os EUA ofertavam empréstimos elevados e o Brasil passou por um crescimento tão artificial que era chamado de “milagre econômico”. Pagamos por aquele “milagre” até hoje...

Mudança na política externa estadunidense e adaptação da Globo

No auge da Guerra Fria os estadunidenses criticavam os soviéticos e seus aliados por “violações aos direitos humanos”. O bloco socialista se defendia apontando o apoio dos estadunidenses às ditaduras militares por eles implantada em toda a América Latina.

Vieram as reações populares à ditadura e a determinação do Império de se proceder, no Brasil, a uma “abertura lenta, gradual e segura” rumo à democracia. A princípio a Rede Globo de Telealienação apresentava uma cobertura exageradamente excêntrica durante a qual manifestações populares contra a ditadura eram apresentadas como “Festas Populares” em São Paulo e outros pontos do país.

Com a inevitabilidade da redemocratização do Brasil, a Globo precisou se adaptar e, num lance rocambolesco, passa a se apresentar como resistente à ditadura e reescreve a sua história confiando na falta de memória do brasileiro...

Há pouco plantaram uns documentos queimados na Base Aérea de Salvador e tentaram iniciar campanha para “abrir os arquivos secretos da ditadura militar”. Calaram-se diante da nossa resposta: “Isso mesmo! Abram os arquivos da ditadura, mas não se esqueçam de abrir também os arquivos secretos da Globo!” Seu comprometimento com os interesses estrangeiros no Brasil e sua colaboração acintosa com a ditadura militar são uma mancha de vergonha que jamais será limpa de nossa história.

Enquanto existir um brasileiro vivo capaz de se lembrar de todo o mal que a Globo fez ao país essa história sórdida não será reescrita!

Da qualidade

Com tanto dinheiro tomado do povo brasileiro através dos sucessivos desgovernos que apóiam o império da emissora, esta se consolidou como um poder descomunal, com raros paralelos na história do mundo. A qualidade da programação e a rapidez da informação e edições – ressalva a sua orientação ideológica reacionária, ultraconservadora – é inegável. Literalmente, pagamos caríssimo para sermos enganados em meio a muito luxo, pompa e circunstância!

Collor de Mello e Lula da Silva

Em 1989 a Rede Globo apoiou incondicionalmente Collor de Mello inserindo mensagens subliminares em suas novelas, concedendo maior tempo para as mensagens do candidato dos poderosos do que ao candidato popular (que à época Lula de fato o era...) e, culminando tudo, manipulando o debate final entre Collor de Mello e Lula da Silva editando uma análise segundo a qual o primeiro havia superado o segundo em todos os quesitos. A Globo manipula o imaginário popular poderosamente!

Em 2002, com Lula da Silva já domesticado, globalizado e neoliberalizado, a Globo o apoiou também incondicionalmente e favoreceu a sua campanha durante todo o tempo facilitando em muito a sua condução ao Planalto: inserções de slogans do PT em telenovelas, acordos de bastidores em torno da dívida gigantesca da Globo com o IBGE... Valeu tudo para esta que se tornou a principal e mais poderosa emissora do país simplificar o caminho do Lula domesticado ao Planalto...

Não por acaso, Collor e Lula entram para a história como os mais corruptos e incompetentes governantes que este país já teve. Bem na linha dos militares, que a Globo tanto apoiou...

Cedo ou tarde o povo acorda. O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!

Para saber mais:

O Centro de Mídia Independente ( www.midiaindependente.org ) disponibiliza o imperdível documentário de Simon Hartog, produzido em 1993 pelo canal 4 da BBC de Londres, “Beyond Citizen Kane” – Além do Cidadão Kane – que, por contar a história secreta da TV Globo e o seu poderio sobre a opinião pública brasileira – teve a sua exibição e distribuição proibida no Brasil. Há um link direto para o download (tem 450 Mb) a partir de minha página em ( www.culturabrasil.org/redeglobo.htm ). Vale a pena e o momento para assisti-lo é mais do que oportuno!

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 28/04/2005

 




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