Farinha do Mesmo Saco

 

A Era Maldita de FHC

Ao tempo de FHC eu mencionava nestas linhas o quão sujas considerava as relações de seu governo com o Parlamento, sempre comprando consciências através de emendas localizadas, casuísticas e o loteamento de cargos públicos bem remunerados.

Criticava também as elevadíssimas taxas de juros que, num governo auto-proclamado “social-democrata”, mas que na prática sempre foi neoliberal, chegavam a quase 40% com Armínio Fraga enriquecendo e fazendo enriquecer a Banca internacional e seus amigos.

Criticava FHC que fazia de tudo para evitar investigações sérias que conduzissem às barras da lei aqueles que, aliados de última hora do poder, se esbaldavam em corrupção e falcatruas de todas as naturezas. Houve gente afastada e condenada, mas era sempre o governo fiscalizando o governo e subjugando o Congresso Nacional com uma quantidade pavorosa de Medidas Provisórias, na prática fazendo com que o poder Executivo legislasse, impedindo o Legislativo de fazê-lo.

Criticava FHC porque mantinha o Supremo Tribunal Federal sob controle, para ele apontando vários ministros e sempre contando com a condescendência gentil da mais alta corte da nação.


A Era da Traição de Lula da Silva

Lula prometia o oposto e toda a sua trajetória existencial apontava na direção de um resgate das classes oprimidas desta Nação, afastando-se daqueles que sempre mamaram nas tetas do governo e esbaldaram-se em corrupção. Lula era uma esperança de que finalmente tivéssemos um governo soberano, livre das altas taxas de juros, da subserviência ao receituário do FMI, um governo de diálogo e sem o autoritarismo recorrente das Medidas Provisórias quanto as que FHC expedia; presumíamos um diálogo constante com o Congresso Nacional.

Decepção. Vergonha. Tristeza. Fisiologia. Continuísmo.

O Partido (dito) dos Trabalhadores, uma das coisas mais importantes e bonitas que já surgiu no cenário republicano brasileiro se desfaz em meio à geléia geral dos outros partidos precisamente sob a batuta de Lula, que leva o partido à direita sem consulta às bases, sem combinar fazê-lo, surpreendendo aliados e oposicionistas. Nomeia para cargos comissionados um sem-número de correligionários a fim de garantir a hegemonia de sua linha de orientação política, com todas as suas idas e vindas, seja lá para onde for.

Para garantir a vitória no Segundo Turno, aliou-se ao que há de mais sórdido na política brasileira (gente que já foi aliada da Ditadura Militar, de Sarney – até mesmo o próprio se tornou seu aliado! – de Collor de Mello e do próprio FHC). Por aí já se intuía que nada se modificaria.

Com a associação de seus correligionários a contraventores, com o estímulo à prostituição pelo Ministério do Trabalho, com o Ministério da Saúde sucateado e uma série de descaminhos tomados com menos de um ano de governo começamos a perceber que a situação sofreu pequena modificação: para pior, muito pior!

O Banco Central, guardião da moeda nacional, foi entregue à Banca Internacional de jogadores da Bolsa e congêneres, tal qual anteriormente ocorria na Era Maldita de FHC. Com um agravante: Armínio Fraga, o estafeta do megagângster Jorge Soros, jamais foi pilhado num ilícito, sempre soube driblar a vigilância. Já Henrique Meirelles, o coroado por Lula para dar prosseguimento à mesma hecatombe que vinha de longe, foi pilhado e precisa explicar pelo menos onde morava no ano de 2001. Se morava no Brasil, sonegou Imposto de Renda. Se morava nos EUA, não poderia ter sido candidato a deputado federal pelo Estado de Goiás. Além deste problema – será interessante ver como é que o Supremo Tribunal Federal vai livrar Meirelles desta! – há ainda suspeitas várias que vão de fraude eleitoral a enriquecimento criminoso, passando por remessa ilícita de divisas ao exterior.

Sobre as relações de Lula no Planalto com o Congresso Nacional a única palavra que ocorre de pronto, nem vem ao caso refletir se é politicamente correta ou não, é PROMISCUIDADE. Há rumores de “mesadas” concedidas a deputados para que votem de acordo com a instrução do Planalto. O número de Medidas Provisórias editadas por Lula ultrapassa em quase o dobro o número daquelas emitidas por FHC.

As taxas de juros ultrapassam a razão e sobem cada vez mais. O governo Lula dá prosseguimento à política econômica equivocada de FHC – que a aprendeu com o FMI – e somente usa o critério de “metas de inflação” e, para atingi-las, somente consegue enxergar o aumento dos juros. Isto é o que dizem. Na prática, redistribuem a renda brasileira na direção contrária, dos mais pobres para os mais ricos, o que explica a baderna generalizada que tomou conta do Brasil: caos na saúde, na educação, na segurança, etc...

Arthur Connan Doyle diz, na boca de seu mais famoso personagem, Sherlock Holmes, “se queres descobrir um criminoso, comece com a pergunta: a quem interessa?”

Quem tem lucrado com a política de juros altos? José Dirceu deixou escapar em recente entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura, que o governo arrecada R$ 500 bilhões mensais em impostos. “Destes” – disse o Ministro Chefe da Casa Civil – “R$ 400 bilhões vão para o pagamento dos juros da dívida”. Juros que aumentam porque o próprio governo assim o determina. E assim o determina para não se indispor com o grande demônio do Norte precisamente no momento em que contaria com a opinião pública brasileira para resistir ao Império do Mal.

Uma das realizações mais impressionantes do governo Lula é o aumento pavoroso da carga tributária na maior transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos desde a época em que o Visconde de Barbacena era o Vice-Rei do Brasil.


Dois Quintos dos Infernos

Durante o tempo da colônia, tinha o Brasil de pagar um quinto (20%) de tudo o que produzia para a metrópole, que então era Portugal. O ouro era “quintado”, feito em lingotes e enviado a Lisboa.

Os brasileiros dantanho se queixavam dos insuportáveis “quintos dos infernos” – vem daí o termo, por sinal.

No governo Lula, a carga tributária chega a 40%. E os brasileiros de hoje suportam em silêncio, dando a Lula altos índices de aprovação – a se acreditar nos órgãos de pesquisa de opinião, naturalmente, eu mesmo nunca fui pesquisado! – a quem nos jugula com dois quintos dos infernos!

Os níveis de corrupção no governo FHC já eram preocupantes, mas ele sempre conseguia manter o Procurador Geral da República engavetando processos e assim sepultou várias CPI's que investigassem a fundo seus problemas. Já no governo Lula a corrupção adquiriu proporções de calamidade pública e, por não conseguir silenciar o Ministério Público, procura controlar o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional para inviabilizar averiguações de suas ações ilícitas.

No processo, embola o meio de campo no Senado e na Câmara dos Deputados, prometendo a mesma coisa a vários parlamentares e não cumprindo a nenhum, joga uns contra os outros – fazendo o mesmo até dentro de seu próprio ministério! – criando crise após crise, conseguindo granjear insucesso após insucesso: alimentando as tensões internas do PT entre Paulistas e Mineiros não conseguiu fazer eleger o presidente da Câmara, perdendo para Severino Cavalcanti. Lutando pela aprovação de uma medida casuística que aumentava ainda mais a carga tributária, vem provocando a fritura de seu ministro Aldo Rebelo – e causa espécie que um homem com aquela finura e a credibilidade que granjeou ao longo dos anos se sujeite a uma situação tão vergonhosa!

Grupo Terrorista COPOM ataca brasileiros pela 9ª vez consecutiva!

O Brasil é talvez a única Nação do mundo que conta com um grupo terrorista institucionalizado que se reúne mensalmente para decidir quanto recurso a mais será retirado dos pobres e transferido aos ricos.

Na reunião da última quarta-feira, 18 de maio, o grupo terrorista decidiu-se a aumentar mais ainda a taxa de juros, pela 9ª vez consecutiva.

Em outras palavras, a equipe econômica de Henrique Meirelles (que está respondendo no Supremo Tribunal Federal por suspeita de crime contra a ordem monetária, justamente ele, guardião da moeda nacional...) e Antônio Palocci decidiu que os Brasileiros teremos de pagar mais impostos para transferir nossas rendas àqueles que já têm muito.


Um alerta muito sério: ditadura à vista!

Quando, numa Nação republicana que se fundamenta no regime representativo, o povo não consegue ver-se representado no Parlamento e a Presidência da República age na prática em oposição ao próprio povo; quando a corrupção atinge desde funcionários de terceiro escalão dos correios ao 4º Andar do Palácio do Planalto; quando o Poder Judiciário arbitrariamente censura edição e distribuição de livros ou emissões televisivas; quando o Comandante Supremo das Forças Armadas, sem formação acadêmica alguma, sem preparo algum, recebe quatro Generais de Quatro Estrelas, com mais 45 anos de serviços prestados à Nação e centenas de cursos exibidos em suas medalhas e, mais que tudo em seus corações e mentes, para eles dizendo: “Olha, não temos dinheiro para cumprir a promessa feita no ano passado que nossa prioridade é mandar dinheiro para os bancos, vocês tratem de acalmar a tropa e tirar as esposas daquele acampamento”; quando enfim, uma Nação chega ao ponto em que Lula enfiou a Nação brasileira começam a surgir idéias enlouquecidas e enlouquecedoras de autoritarismo, de ditadura com este ou aquele formato, etc. Deus nos livre e guarde de tal retrocesso!

Neste momento, provavelmente o mais grave da vida nacional desde que me entendo por gente, cabe fazer alguma coisa no sentido de acertar. Se os poderes públicos estão apodrecidos, que a sociedade civil se mobilize e faça valer seus legítimos interesses. Ainda temos Instituições no Brasil dignas de ampla credibilidade, como a ABI e a OAB, entre tantas. Estas deveriam, tal qual ocorreu em 1991, mobilizar a sociedade na direção de uma moralização no encaminhamento da coisa pública, que tal esbórnia jamais se viu em toda a história deste país.


Cuidado com textos apócrifos


É muito simples constatar a idoneidade moral de quem publica manifestos. As Instituições Civis Sérias sempre assinam seus escritos se identificando positiva e nominalmente. Escritos que vêm sem identificação não merecem o menor respeito, nos termos do artigo 5º da Constituição Federal. Os manifestos que se sugere à ABI e à o OAB produzir, devem ser assinados e vir claramente identificados. A estes devemos, sem dúvida, seguir! A população brasileira não suporta mais estes partidos que se disfarçam, como que escondendo-se envergonhados em panfletos pseudo-moralizantes que nada têm de sério, inclusive porque ou estão no exercício do poder praticando de fato as bobagens que os panfletos denunciam ou já estiveram no poder fazendo precisamente as mesmíssimas bobagens... Mais: sempre vinculados aos que são – não cabe outro adjetivo – “Farinha do mesmo saco”: PSDB, PSB, PPS, PT, PFL, PP e PTB, entre tantos, todos iguais no mesmo e único propósito: chegar ao Poder ou nele preservar-se, sem levar em conta qualquer eivor de ideologia embora sempre proclamem o contrário.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 19/05/2005






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