Casos Isolados

 

O Caso Luiz Cláudio Gomes da Silva, que ocupava o cargo de coordenador-geral e havia sido nomeado pelo ministro Humberto Costa foi preso e exonerado por comprovada participação na manipulação de licitações ligadas a hemoderivados foi um "caso isolado". – FSP, 21/05/2004.

O escândalo Waldomiro Diniz foi um erro do PT, do governo e de José Dirceu, por não termos tido mais acuidade na escolha de um assessor. Mas foi um erro de procedimento, e pedimos desculpas à sociedade por ele. Trata-se de um “caso isolado”. – José Genoíno, 03/05/2005.

A compra de R$ 70 mil em ingressos, pelo Banco do Brasil, de um show da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, cujos benefícios iriam para a construção da nova sede do PT na churrascaria Porcão foi um “caso isolado”. – Cássio Casseb, 06/08/2005.

A morte da índia Kelly Fernandes, 6,5 meses, foi um “caso isolado” – Humberto Costa, 23/02/2005.

Segundo Lula da Silva, as acusações sobre Henrique Meirelles, de desvio ilícito de recursos ao exterior, de crime eleitoral, de falsidade ideológica e de sonegação de imposto de renda constituem “caso isolado” que não afeta a atuação do Banco Central do Brasil ou mesmo da política econômica de seu governo. Disse ainda que somente o afastará do cargo se houver condenação em última instância. Até então, o presidente do Banco Central é considerado inocente de todas as acusações. Mesmo entre os aliados do governo há quem defenda que o guardião da moeda nacional, enquanto for suspeito de crime contra a ordem monetária, deveria afastar-se do cargo. Lula recusa in limine . Nem quer pensar nisso. – 29/04/2005.

O Procurador Geral da República Cláudio Fonteles informou que, em 1994, Romero Jucá e um sócio adquiriram a Frangonorte, assumindo os débitos da empresa no Basa e no Banco do Brasil. Em 1995, eles firmaram com o Basa (Banco da Amazônia) "escritura pública de confissão, composição e assunção de dívidas com garantia hipotecária e alienação fiduciária no valor de R$ 4.616.721,50". Numa das cláusulas, Jucá e o sócio discriminam imóveis dados em hipoteca. Imóveis que se comprovaram inexistentes. Lula da Silva diz que este é um “caso isolado”, Romero Jucá segue digno de toda a sua confiança e o caso será investigado até o final. Providências serão tomadas somente no caso de não haver recurso até última instância. FSP – 12/05/2005.

Defendendo a indicação política para cargos públicos, José Dirceu disse que não há fisiologismo no governo. Repete como se fosse um mantra, talvez na tentativa de convencer a si mesmo: “este governo não rouba nem deixa roubar”. Para o ministro, o caso do funcionário flagrado pedindo propina é um “caso isolado" e não contamina o restante dos Correios ou mesmo das Estatais Brasileiras loteadas aos partidos de sustentação do governo Lula. – programa Roda Viva da TV Cultura, a 16/05/2005.

O caso de corrupção, apresentado em fita de vídeo, envolvendo o funcionário dos Correios Maurício Marinho como integrante de um esquema de propina em negociações com empresas fornecedoras de estatais do governo não passou de um “caso isolado” – senador Aloísio Mercadante, líder do governo no Senado a 17/05/2005.

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Diante de tantos casos isolados, fica aos Senhores Parlamentares a sugestão da instauração de uma “CPI dos Casos Isolados” com a maior brevidade possível


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Dia 18 passado os senadores da base de sustentação do governo, talvez no afã de aprontar uma molecagem, talvez querendo “dar o troco” em tantas derrotas que vem sofrendo no Congresso Nacional, rejeitou o nome de Alexandre Moraes (filiado ao PFL e ligado ao governo Geraldo Alckmin) para a composição do Conselho Nacional de Justiça. O caso ficou tão confuso e é tão sem precedentes (um nome indicado pela Câmara e já com acordo de lideranças para aprovação quase que por aclamação – Ainda há quem acredite que o PT cumpre o que promete...) ser assim rejeitado. Os departamentos jurídicos da Câmara, do Senado e do STF ainda estão estudando como devem proceder na improbabilíssima eventualidade de acontecer algo desta natureza – e perpetrado por pessoas supostamente sérias, petistas e aliados, mas presumivelmente sérias.

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De Brasília chegam-nos notícias escabrosas de um governo em estado precoce de esclerose, sem comando sobre nada nem ninguém, uma barafunda generalizada, clima de “fim de festa”, debandada de aliados que, a exemplo do governo, não cumprem suas partes nos acordos e muita disposição para escândalos. Espera-se para muito breve novas “bombas” ainda mais destrutivas que as fitas de corrupção explícita de Waldomiro Diniz ou esta última dos Correios...


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Nota prévia de falecimento

“Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes para não passar vergonha. Por que sabe o que acontece? Tem muita gente que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros e de dormir com a consciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume. E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por que não cumpriu” – Que os Anjos digam Amém, presidente! Que os Anjos digam Amém!

Luiz Inácio Lula da Silva, novembro de 2000, em entrevista à revista Caros Amigos.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 19/05/2005






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