Crise em múltiplos planos

 

O governo do presidente Lula está cercado de problemas que vão das denúncias de corrupção nos Correios ao Indiciamento dos Ministros Presidente do Banco Central e da Previdência Social, ambos respondendo no STF por uma série de irregularidades.

O consenso em Brasília é que tudo isso é meramente “a ponta de um gigantesco iceberg”, ou seja, Lula não tem projeto de governo e fez alianças fisiológicas não em torno de idéias, planos ou projetos políticos, mas em torno de “quem tem a boca maior come o outro”, daí o canibalismo generalizar-se.

Quando a minha sobrinha pede uma bola de presente de aniversário, ela sabe o que vai fazer com a bola. Lula quer perpetuar-se no governo sem ter a menor noção do que fazer com ele, daí sucedem-se as múltiplas crises.

A cada semana estoura um novo escândalo e o governo rapidamente procura – nem sempre com sucesso – abafá-lo. Há pendências diversas, questões em aberto, pontas soltas a que o governo Lula somente consegue responder com suborno, censura ou repressão.

Dentre os casos em aberto estão a CPI dos Bingos (que Lula classificou como “pior do que a prostituição infantil”, mas com ambas as calamidades convive sem grandes problemas); o reajuste salarial dos funcionários públicos civis e militares, prometido mas jamais cumprido; a promessa ao MST de acelerar a Reforma Agrária e o compromisso com os latifundiários de não liberar recursos para que a Reforma Agrária se efetive; o “Maior Programa Social do Mundo”, o “Fome Zero”, que ficou só no Zero mesmo; dois ministros respondendo a processos no Supremo Tribunal Federal; vários funcionários pilhados em cenas explícitas de corrupção detalhadas e transmitidas em rede nacional de Televisão e por aí vai.

CPI dos Correios e outros dramas

Nos últimos dias, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto travaram uma batalha hercúlea em torno da abertura ou não de uma CPI para investigar o caso de corrupção nos Correios, com provas generosamente veiculadas pela revista Veja e amplamente repercutidas em todos os outros órgãos de imprensa do país.

Primeiro, o governo tentou comprar a consciência dos parlamentares mas o número dos venais foi menor que o suficiente para evitar a instalação da CPI. Agora partem para o chamado “plano B”, que consiste em várias etapas: inicialmente tentarão manter a presidência e a relatoria da dita CPI sob o controle do governo, tornando-a inócua. Se isto não for possível, tentarão esvaziar o quorum até que a Polícia Federal possa apresentar algo mais suave, que não comprometa tanto o governo. Caso nem isto funcione, tentarão fazer com a CPI dos Correios o que já fizeram com a CPI do Banestado: nomear para a presidência ou a relatoria um membro da tropa de choque do PT com vistas a avacalhar aquele importante instrumento do Legislativo brasileiro. A fúria sanguinária de Lula surpreende a todos, de aliados a adversários de longa data, que jamais o imaginavam capaz de tantas crueldades. Neste sentido, o desserviço que Lula presta à causa da Democracia no Brasil é ainda mais danoso que aquele da Ditadura Militar, da qual não passa de um “filhote”.

Clique aqui para conferir a lista completa de parlamentares que assinaram a CPMI, dos que não assinaram e daqueles que assinaram mas, subornados, retiraram suas assinaturas.

Com tanto poder mobilizado, é provável que o governo seja bem-sucedido em seu intento neste momento, mas há que considerar três fatores: 1) O dano à democracia é irreversível e a imagem de incorruptibilidade vestal do PT está definitivamente sepultada. Somente para exemplificar quão baixo o PT desceu, Roberto Jefferson, conhecido nacionalmente como líder da Tropa de Choque de Collor de Mello, declarou que líderes petistas praticamente se ajoelharam a seus pés como se diante de um rei ou santo suplicando a graça de manter a esbórnia intocada. Não houve qualquer desmentido por parte dos suplicantes. 2) Basta esperar mais um bocadinho que este governo é o maior produtor de escândalos ligados ao descaminho da coisa pública desde que a frota de Cabral chegou a estas terras. 3) A cada escândalo ou descumprimento de promessas, novas levas de parlamentares abandonam o barco desgovernado.

Não fôssemos nós, brasileiros e brasileiras, os passageiros deste Titanic que o governo Lula pilota e assistiríamos “de camarote” ao naufrágio. Na posição em que estamos, de vítimas anunciadas, a agonia fica cada vez maior e os movimentos populares já começam a se mobilizar, pelo menos em nome da própria sobrevida material de largas parcelas da população esbulhada pelo grande capital especulativo internacional.

Na bolsa de apostas, cresce o número de pessoas que acredita num final melancólico e precoce para o governo Lula e diminui o número dos que apostam numa eventual reeleição – e mesmo estes prevêem – caso esta calamidade anunciada (a reeleição) se consuma – um governo ainda mais crítico e difícil que o primeiro...

Falta-nos um Estadista, da estatura de Getúlio Vargas, ou um movimento popular organizado, a exemplo daquele da OAB/ABI de 1991 a se contrapor a esta loucura generalizada que tomou conta desta nação moralmente doente.

Lázaro Curvêlo Chaves - 26/05/2005

 






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