Pegaram o PC do Lula!

 

Esta foi a minha primeira reação ao ler a reportagem-entrevista bombástica com Roberto Jefferson (o homem a quem Lula chamou na véspera de “parceiro”, abraçou-o e asseverou ser “capaz de dar a ele um cheque em branco”) na Folha de S. Paulo da segunda-feira passada. Aos poucos, contudo, a poeira vai baixando e a sensação agora é de “nem tanto nem tão pouco”.

Não é novidade alguma que os parlamentares, no Brasil, sempre foram submetidos às mais variadas formas de suborno para votar de acordo com os ditames do dirigente, mesmo que isso contrarie suas próprias e venais consciências ou os princípios programáticos de seus partidos (também à venda).

Como é que um partido como o PSDB apesar de conseguir uma votação expressiva levando 71 Deputados Federais para a Câmara em 2002, conta hoje com apenas 49 Senhores Deputados? 22 deputados eleitos pelo PSDB, traíram seu eleitorado e transferiram-se para partidos da base governista. Enganam-se os que supõem que foram motivos ideológicos que a tanto os conduziram... O PFL elegeu 94 Deputados Federais em 2002. Hoje conta com meros 59. Trinta e cinco Senhores Deputados pefelistas traíram seus eleitores e engordaram base do governo Lula. O mesmo se repetiu em outros partidos, mas estes são os dois casos mais emblemáticos de como funcionou a máquina de cooptação petista que, no entanto, sempre tratou os “partidos da base aliada” como gente de segunda categoria. Aliás, que outro epíteto apodar a quem se elege com uma plataforma e se vende ao adversário? Adversário, aliás, que também traiu o seu eleitorado elegendo-se com uma plataforma de esquerda e governando com a Banca Internacional...

Uma curiosidade que está vindo à tona é o fato de o PT jamais admitir em seus quadros – salvo exceções raríssimas, como de Miro Teixeira e Saturnino Braga – egressos de partidos fisiológicos. Tencionava manter uma aura de pureza vestal e hoje o PT passa para a opinião pública a imagem de mais fisiológico de todos os partidos...

Outra curiosidade é que o suborno produziu algumas riquezas individuais a parlamentares que se divorciaram logo a seguir. Dizem que há uma fila de ex-esposas de parlamentares ansiosas para contar na CPMI tudo o que sabem!

Na política brasileira está cada vez mais difícil encontrar confiabilidade. A partir da denúncia do deputado federal Roberto Jefferson, subitamente guindado a homem de confiança do Presidente Lula, acerca do que todo o mundo sabia, mas ninguém tinha provas ou coragem de falar, que a propina corria solta pelo parlamento brasileiro, entendemos como é que funciona o troca-troca de partidos em nosso país. É necessário enfatizar que este novo e incômodo aliado, Roberto Jefferson, foi, desde sempre, o arquiinimigo de tudo o que o PT representava no passado em termos de encaminhamento ético da política. Eu até hoje não entendi o que é que gente do quilate moral de Ivan Valente e Chico Alencar (só para citar dois que conheço de perto) ainda fazem no PT...


Reforma Política

O Brasil precisa de uma Reforma Política digna desse nome. Nada das “reformas na direção contrária” que o governo vem protagonizando desde 2003.

Após todos os procedimentos a serem levados até as últimas conseqüências pelas CPMI's que se instalam, cabe repensar in totum o modelo político brasileiro.

Voto distrital, voto distrital misto, parlamentarismo, fidelidade partidária, verbas públicas para campanhas eleitorais sob controle rigoroso, entre outras propostas que se escuta são meros remendos, paliativos.

A solução definitiva está numa ruptura com o regime capitalista. Dentro da democracia representativa burguesa e de uma estrutura sócio-econômica em que se vendem corpos e consciências veremos o eterno pipocar de escândalos e o distanciamento entre o eleitor e o eleito. Sejam os braços para o trabalho na lavoura ou construção civil, sejam cérebros para jornais ou escolas, sejam outras partes do corpo com outras finalidades (como a profissão codificada no Ministério do Trabalho sob o número 5198 – Profissionais do Sexo), sejam as consciências, no capetalismo tudo tem preço e somente a ruptura com este modelo pode trazer soluções.

O nome “socialismo” foi emporcalhado pelas bobagens que os dirigentes do Leste Europeu fizeram? Arranjemos outro nome! Mas enquanto vivermos numa sociedade competitiva canibalesca e não cooperativa, menos ainda fraterna, veremos e vivenciaremos este lastimável rosário de penas de ponta a ponta.


Presidente cabra macho é assim

A jornalista Renata Lo Prete perguntou a Roberto Jefferson na já histórica entrevista: “Qual foi a reação do presidente ao saber que o esquema do ‘mensalão' continuava?” – Respondeu Jefferson: “O presidente chorou!”.

 

Lázaro Curvêlo Chaves - 09/06/2005






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