A Besta do Apocalipse

 

São João, filho de Zebedeu, condenado ao exílio na Ilha de Patmos devido à sua Fé Cristã, escreveu o “Livro das Revelações” ou “Apocalipse” por volta do ano 95 d.C. No capítulo 13, versículo 17 está escrito: “Naqueles dias ninguém conseguirá comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da Besta, ou o número do seu nome.”

Karl Marx, em O Capital , identifica estes signos: papel moeda, cartão de crédito e talão de cheque. O Capital é a Besta do Apocalipse e somente após a sua derrota a humana espécie poderá almejar a, novamente, ser Livre.

O primeiro ser humano que lascou uma pedra para, com ela, raspar as carnes de um animal abatido, criou a primeira ferramenta. Com o tempo as ferramentas foram se sofisticando e hoje os seres humanos servem às ferramentas por ele criadas. É... Os cavalos subiram nas selas e cavalgam a humanidade...

É assim que compreendo filmes de ficção científica como “Matrix” ou “O Exterminador do Futuro”: ferramentas, máquinas que tomam conta do mundo e dominam a humanidade. Metaforicamente é este o nosso mundo. Todos, gostando disso ou não, servimos ao Capital, uma ferramenta criada para nos servir e não para servir-se de nós...

São João informa dos tempos difíceis daqueles que se propuserem a permanecer fiéis ao Deus verdadeiro (e o coloco aqui em contraposição ao falso deus-mercado, ou deus-capital) mas “...àqueles que perseverarem até o final lhes será dada a coroa da Vida.”


Aumenta ainda mais o lucro dos bancos

A legislação brasileira é incrivelmente leniente no que concerne aos direitos que o Capital tem de pilhar, saquear o bolso do trabalhador. Em geral, temos de receber proventos através do sistema bancário que cobra as mais elevadas tarifas do mundo, pratica os juros mais altos do planeta Terra e pratica “vendas casadas” de produtos diversos.

De recordes em recordes, o Banco Itaú, por exemplo, suplantou toda a lucratividade de um único banco em toda a história do capitalismo mundial nos últimos três meses. Sou testemunha – e tenho documentação comprobatória – de um caso relativo a um cidadão que, desempregado, deixou uma conta de um cheque especial com um valor de R$ 900,00 em aberto há dois anos e hoje o Banco Itaú o executa em cerca de R$ 10.000,00! Tudo dentro da lei, tudo certinho do ponto de vista jurídico, tudo crudelíssimo do ponto de vista humano ou mesmo ético.

“Veias abertas” na lúcida visão de meu Amigo Eduardo Galeano, que explana a situação de maneira bem clara: o cidadão comum sobrevive como um paciente terminal na UTI de um grande hospital e lá é obrigado a transfundir o que lhe resta de sangue a gordos banqueiros vampiros.


Senado amplia o valor do Salário Mínimo

O Partido (dito) dos Trabalhadores, quando na oposição, lutava por um salário mínimo de acordo com o padrão preconizado pelo DIEESE e pela Constituição Brasileira: algo hoje em torno de R$ 1.500,00. No poder, envia ao Parlamento um projeto para um salário mínimo (em vigor por força de Medida Provisória) de R$ 300,00 que o Senado Federal ampliou para R$ 384,00 determinando que a MP seja reexaminada pela Câmara dos Deputados.

Difícil imaginar que os Deputados, particularmente aqueles que almejam reeleger-se, reduzam este valor aos R$ 300,00 propostos pelo governo. Mais provável que a Câmara corrobore a decisão do Senado Federal e o ônus da redução no Salário Mínimo fique a cargo da Presidência da República. Particularmente agora que, denunciado, Lula aparentemente foi obrigado a interromper o suborno a parlamentares venais através do esquema do “Mensalão”. Será que os deputados, sem “Mensalão”, ousarão reduzir o Salário Mínimo e assumirão para si o ônus de reduzir os proventos dos trabalhadores? Neste país, tudo é possível, até mesmo que o povo reeleja deputados que votam contra os trabalhadores.


Militares humilhados e ofendidos

Diante da disposição da Associação das Mães, Irmãs e Esposas de militares de efetivar uma mobilização ruidosa no Dia da Pátria – 7 de Setembro – Lula promete (mais uma promessa...) para outubro um reajuste de 13% dos 23% prometidos e não cumpridos em março passado, ficando outros 10% para agosto de 2006.

Nervos à flor da pele, proibidos de se manifestar por força de Lei, os militares vivem na penúria: os dirigentes desta Nação se vingam na atual geração da Família Militar pelos crimes e erros graves cometidos por militares no passado.

Esta promessa de 13% para outubro – que tem tanta credibilidade quanto aquela outra de 23% do ano passado – dificilmente evitará que as mulheres dos militares se manifestem no Dia da Pátria. Muitas promessas, pouco cumprimento, nenhuma honra.

O motivo alegado pelo governo: “não há recursos para melhor proposta”. E não há recursos porque a prioridade primordial é desviar recursos da produção para a especulação. Através da cobrança dos juros mais elevados do mundo (40% de tudo o que produzimos e consumimos ficam com os cofres públicos e são desviados para a ciranda financeira) o brasileiro se empobrece para garantir a riqueza de outros povos acima da Linha do Equador.

É estarrecedor que o governo de um partido que se pretende “dos trabalhadores” esteja a pautar-se por garantir as grandes fortunas e, para os despossuídos desta terra somente destine, e de maneira fraudulenta, auxílios-esmolas. Não se elegeu com esta plataforma, mas não é descartável, dado o poder da mídia, da propaganda, que se reeleja com algumas promessas mirabolantes que jamais serão cumpridas. Triste Nação governada por pigmeus éticos e rapinantes criminosos. Até quando?


Escândalos para todo o lado

A Senadora Heloísa Helena, pré-candidata à Presidência da República em 2006, repete várias vezes que, “neste governo, onde se toca sai secreção purulenta”. Pura verdade.

A distância entre o público e o privado, no Brasil, sempre foi um problema dos mais sérios para o regime republicano. No governo Lula esta contradição atinge níveis paroxísticos: um partido político (o PT) se confunde com o governo e atua fazendo além do que a lei permite para arrochar ainda mais a nossa gente, subornando parlamentares e transformando parcelas significativas de organismos governamentais em feudos partidários numa espécie de “Programa Emprego Zero” para a companheirada.

Aquela montanha de dinheiro que circula pelo Brasil em malas e cuecas é friamente apresentada ao respeitável público como “sobras de campanha” ou “sobras de caixa dois de campanha”. Não é! É dinheiro público malversado, “lavado” através de empresas de propaganda cujo comportamento ético está muito longe de ser exemplar. Pilhados com a mão na massa, os petistas tentam se justificar: “Os tucanos faziam a mesma coisa!” Profissionais da política, estes retrucam: “mas não de forma tão maciça e sistêmica” – a pequenina palavra “sistêmica” é a grande diferença entre as falcatruas tucanas e as petistas. No centro do picadeiro o povo brasileiro, esbulhado em seus direitos, arrochado em seus salários, escorchado em impostos extorsivos que se destinam à Banca Internacional. Pagamos mais impostos que os suecos e temos serviços públicos inferiores aos de Bangladesh – o que já mereceu a alcunha de Sugladesh para o encaminhamento político e econômico de nossa Nação.


Ao invés de explicações, bravatas, bravatas e mais bravatas

O povo brasileiro espera ainda do Presidente da República (filho de pai e mãe analfabetos, que tentaram transmitir algum censo ético à sua prole, infelizmente sem sucesso) uma explicação sincera, nítida e clara de tudo o que está acontecendo e a cada dia nos sobressaltamos com novas denúncias de propinas, malversação de dinheiro público, contratação de prostitutas para parlamentares às expensas do Erário e por aí vai.

É o próprio Lula e o próprio PT que jogou na lata do lixo da história 23 anos de política limpa. 23 anos, não 25, esse cálculo está errado! Há 2 anos o PT abandonou todas as suas bandeiras éticas e politicamente ligadas à Classe Trabalhadora!

Lula, ao invés de conclamar a direita da CUT e a UNE chapa branca para sair às ruas em sua defesa e reclamar contra “elites” que pretensamente estariam interessadas em removê-lo do poder (as mesmas elites para as quais ele governa e tanto beneficia) deveria convocar uma cadeia de rádio e TV e explicar em detalhes tudo o que fez e deixou de fazer, com clareza e sinceridade, e pedir desculpas à Nação pelo grande mal que tem feito. Talvez assim conseguisse preservar pelo menos um pouco do seu legado, que inegavelmente ele foi personagem importante no processo de redemocratização do Brasil após a ditadura militar. Mas a seguir como está, entrará para a história do Brasil como Traidor da Classe Trabalhadora ou O Governo Mais Corrupto da História do Brasil.

Lázaro Curvêlo Chaves – 11/08/2005

 

 




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