Comportamento Errático

 

Desde a campanha eleitoral de 2002, Lula tem-se demonstrado ambíguo, vem mantendo um discurso para o povão e outro para o Capital especulativo internacional, garantindo a ambos que defenderá seus interesses. Nós, trabalhadores, supusemos que ele estivesse sendo sincero conosco e os especuladores tinham a certeza de que ele estava fazendo o jogo da Banca Internacional. Acertaram os segundos, perdemos nós, que fazemos a riqueza desta Nação com o suor de nosso rosto.

No discurso, nada mudou: Lula continua tonitruante para a plebe ignara, fazendo apologia da falta de conhecimento e estudos, demonstrando-se um personagem de baixa estatura (física, moral e intelectual) justamente no momento em que a Nação precisava de um Grande Homem...

Na prática, dá prosseguimento à política econômica rapinante dos tucanos, com requintes de sofisticação no que tange a beneficiar o grande capital especulativo e grosserias brutais no que tange a subestimar a inteligência do povão.


Quem comete crimes mais graves?

As CPI's em curso giram hoje em torno de buscar saber que grupo cometeu maior rapinagem ao erário: a tucanagem ou a turma do PT. Interdito nas dobras dos discursos de tucanos e petistas uma lógica somente crível porque real; se uns dizem “uma coisa é fazer caixa dois, e o próprio presidente Lula afirma ser esta uma prática comum no Brasil” (poderíamos acrescentar, tão comum quanto os assaltos e seqüestros), afirmando ainda que “outra coisa é criar uma malha de corrupção sistêmica, de compra de parlamentares ou de um exército mercenário para votar com o governo contra os interesses legítimos do povo brasileiro”.

PT e PSDB, guardadas as devidas proporções cometeram os dois tipos de irregularidade: caixa dois e suborno a parlamentares venais. Tucanos, velhas raposas que se aliaram ao que há de mais tradicional, conservador e fisiológico no Brasil, o fizeram tão profissionalmente, por assim dizer, que poucos rastros deixaram. Petistas, mantendo um discurso a favor da ética ingressaram de forma amadorística nesta prática e foram pilhados. Ocupando hoje os principais cargos executivos e construindo maiorias parlamentares a poder de suborno, de repente, ao interessar, “descobrem” as irregularidades do PSDB mesmo constando que, ainda no Governo de Transição, havia um acordo de cavalheiros (coisa que nunca se respeita em política) no sentido de os petistas não levantarem as falcatruas dos tucanos.

Agora que “a casa caiu” para o PT, a grande defesa deles é afirmar dos tucanos: “mas vocês faziam o mesmo”. E os tucanos se defendem: “mas não nesta proporção!”

A isto ficamos reduzidos: os dois maiores grupos políticos do país hoje debatem quem praticou maiores irregularidades contra o erário. Abre-se espaço para uma terceira força se erguer contra “tudo isso que aí está”, mas Brizola morreu e não se vislumbra ainda uma liderança nacional capaz de fazer frente a estas duas grandes forças políticas.


Lula se reelegerá?

Antes de mais nada, só com o que já se apurou na CPMI dos Correios há subsídios para dar início a um processo de impedimento contra o Presidente da República, o que não interessa sequer aos tucanos que vêem na possibilidade de ascenção do Vice-Presidente José Alencar o “perigo” de ele realizar um governo acertado e conseguir a reeleição.

Até o presente momento não parece haver interesse de qualquer dos grandes agentes políticos (embora as provas sobejem) na direção de fazer com Lula o que se fez com Collor de Mello em 1991.

Presumamos que Lula se candidate à reeleição, até pouco tempo atrás dada como favas contadas, como é que ele governaria? É público e notório que jamais alguém conseguiu pilhar Lula trabalhando. Sempre está debatendo, conversando, confabulando, conspirando ou fazendo pronunciamentos histéricos. No Senado Federal há quem esteja disposto a pagar bem por uma foto (mesmo que seja montagem) de Lula trabalhando. Como é que este personagem de baixa estatura física, intelectual e moral governaria o Brasil sem contar com Waldomiro Diniz, José Dirceu, Marcos Valério, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, Marcelo Sereno e outros de mesma cepa? Como seguiria subornando parlamentares agora que os olhares da Nação estão todos voltados para o Parlamento?

A questão hoje colocada com clareza é: em 2006 teremos mesmo de escolher entre a Era Maldita dos tucanos e a Era da Traição dos petistas? Não surgirá uma terceira alternativa factível pela via eleitoral regular? Algo que não seja o continuísmo ou o retorno do mesmo, algo novo, eis o que precisamos neste momento e cujos embriões começam a manifestar-se.

Lázaro Curvêlo Chaves – 11/08/2005

 

 




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