O mau exemplo, principal motivo da violência

 

“Se algum dia a dignidade, a honradez, a sinceridade, a verdade e a justiça forem banidas deste mundo, encontrarão refúgio seguro cá dentro de meu peito!”
- Baltazar Gracián -

É realmente cansativo assistirmos à hipocrisia de políticos corruptos inquirindo outros em CPI's, conhecidos gângsters e dilapidadores do erário a posar de vestais e defensores da ética, mas é fundamental manter a vigilância!

Vejo no mau exemplo do governo do PT um dos principais motivos do incremento da violência no Brasil.

O homem simples do povo assiste a estes criminosos de paletó e gravata falar em gastos de quantias de tal monta que jamais um trabalhador honesto conseguiria amealhar numa vida inteira de trabalho honesto. Quanto custou a campanha tal? “Ah, não passou de R$ 6 bilhões...” diz displicentemente um dos depoentes numa das CPI's. “O mensalão estava em R$ 30 mil e os parlamentares praticamente paralisaram o Congresso exigindo um aumento da propina para R$ 50 mil” – denúncia do também deputado e também corrupto Roberto Jefferson.

Esses caras riem de nós em rede nacional sem o menor pudor. Para quem ainda guarda algum censo de ética e justiça fica um estarrecimento tão vigoroso quanto impotente.

E já conhecemos o final desta ópera bufa, pois já assistimos a coisas similares (verdade que o PT conseguiu bater todos os recordes na malversação de recursos públicos e incompetência administrativa, mas há precedentes): ocorrerão aí umas duas ou três cassações de Parlamentares que passam a viver à farta, livres, ricos e felizes com o fruto do que lograram amealhar, imunes a qualquer punição.

O cidadão comum, cuja trajetória existencial começa com o fruto de uma gravidez de alto risco, falta de escolas e boa educação, falta de alternativas honradas de trabalho e um bombardeio diuturno de propagandas – em outdoors, em intervalos televisivos ou panfletos de lojas comerciais – pressionando por um consumismo absolutamente incompatível com a sua existência concreta.

Some-se à falta de educação uma pressão violenta ao consumismo e a constatação empírica de que a quem for mais “esperto” é assegurada a impunidade e temos o quadro atual, de furtos, roubos, seqüestros, assassinatos e o escambau. É como disse Ruy Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”

A loucura avança! Contra a violência o governo propõe o desarmamento das pessoas ditas “de bem”, ou seja, que têm emprego, endereço fixo, registro do armamento, etc. Há até quem proponha a pena de morte! Cáspite! Cria-se uma fábrica de marginais e criminosos e, na saída, a guilhotina, o garrote, o fuzilamento ou sabe-se lá o quê.

O capitalismo, por definição, é irracional. Refletindo melhor, há uma “racionalidade” para o Capital, mas esta se distancia pavorosamente da Razão Humanista. A Vida, o Amor, o Trabalho Honrado são coisas irracionais do ponto de vista do capital. Para esta entidade guindada à posição de divindade laica da modernidade, “racional” é “manter a balança comercial favorável”, “controlar a inflação”, “manter os juros elevados para atrair mais capital especulativo” e por aí vai.

Por vezes paro e penso: será que ainda verei, em meu presente estado de existência, o fim da irracionalidade?


Orçamento da União – outro exemplo de irracionalidade

Ano passado o Presidente Lula enviou ao Congresso Nacional – conforme reza a Constituição – uma proposta de orçamento consentânea com a arrecadação de impostos pela União. Recebeu autorização de gastar R$ 22 bilhões (Vinte e dois bilhões de reais) a serem distribuídos pelos Ministérios (Saúde, Educação, Justiça, Cultura, Reforma Agrária, etc.). Pois bem, estamos ingressando em setembro e o governo utilizou menos de R$ 300 milhões do valor autorizado para todo este ano. E os restantes R$ 21 bilhões e 700 milhões de reais? Para remunerar o capital especulativo e subornar parlamentares...

Não há dinheiro. O Governo Federal não tem dinheiro para recuperar estradas, para melhorar os salários de professores, médicos, enfermeiras, etc. ou sequer para obras de criação ou recuperação de instalações hospitalares ou educacionais. De nosso trabalho, quase metade vai para o governo a título de impostos (um naco deste vai direto para a ciranda financeira, pois recebemos através de bancos que cobram caro pela honra que temos de usar seus serviços). Nem no feudalismo se pagava tanto imposto! E no capetalismo, para onde vai o imposto que pagamos? Para a engorda do capital. O Brasil dá um exemplo para o mundo de como, dentro das normas legais e constitucionais, retirar recursos dos pobres e enviá-los aos ricos.

A população reage como pode: a apatia é a reação mais comum, o desespero conduz muitos à violência e tudo isso vem do mau exemplo do governo do PT...


Resenhando

No Congresso Nacional ouviram-se deputados, presidentes de estatais, gerentes de bancos públicos, gestores de fundos de pensão e assessores. Todos aparecem com um ar angelical jurando por todos os juros que estão ali “para colaborar”, “para falar a verdade” e ajudar nas investigações. A “verdade” de um é desmentida no dia seguinte pela “verdade” de outro. Isso quando o próprio depoente se sente traído e se decide por revelar mais do que havia revelado anteriormente, volta e diz o contrário de tudo o que havia dito antes. E todos se agitam para proteger seus mandatos e montar acordos contra o povo. Já está ultrapassando as raias do suportável tanta repetição e cantilena.

Lula convidou Jobim e Renan para uma conversa. Dela resultou um discurso vazio de significado, de coerência e consistência. Informa que deseja ver a apuração de todas as denúncias mas trabalha arduamente para varrer toda a sua sujeira para debaixo do tapete. Informa que conta com apoio popular mas é desmentido pelas pesquisas que – mesmo feitas como são, orientadas – revelam a queda de sua popularidade, a descrença e o desencanto do povo com ele e com o governo do PT.

O próprio presidente interino do Partido informa, envergonhado, não dispor de argumento algum que conduza alguém a votar ainda no PT!

O Grande Luís Fernando Veríssimo matou a famosa “Velhinha de Taubaté”. Resistia acreditando em todos os governos, políticos e governantes mas, segundo suspeita o cronista, cometeu suicídio diante de tantas mentiras e desilusão. Seu obituário foi publicado pelo cronista n' O Globo de 25 de agosto.

Fora Todos!

Um laivo de Esperança começa a se erguer. Entre ter de escolher os neoliberais do PT ou os neoliberais do tucanato começa a surgir um movimento de massa conclamando a uma renovação generalizada no cenário político nacional. Capitaneado pelo PSTU e pelo PSOL – dignos herdeiros da verdadeira esquerda – não admite acordos ou composições. Repetem o que já disseram nossos irmãos bolivianos e equatorianos mui recentemente: “Que se vaya­n todos!”

Dentro deste quadro absolutamente irracional, de um partido nascido “de esquerda” que executa um governo à direita do diabo envolvendo, num roldão inédito, todos os políticos venais do país não se consegue mais acreditar em nenhum deles! Fora todos! Chega de esbórnia! Assembléia Nacional Constituinte já!

Lázaro Curvêlo Chaves – 25/08/2005

 

 




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