Aumenta o perigo de corrupção e desvio
de dinheiro público

 

Muitas pessoas imaginam que, pilhados, os petistas no governo venham a tratar a coisa pública com menos desrespeito neste ano e pouco que falta para o final de seu primeiro mandato.

Ledo engano, avisa o ex-petista Fernando Gabeira: se eles perceberem claramente que ficarão muitos anos fora dos centros decisórios de poder, tenderão a uma rapinagem ainda maior em busca de fazer um caixa para manter-se durante os tempos de ostracismo que virão. É o “salve-se quem puder”. Cabe, sim, redobrar a vigilância!


Depoimentos nas CPI’s dão sono

Nem mesmo o Toninho da Barcelona, do alto de sua autoridade econômica, fazendo uma leitura do comportamento do mercado diante da flutuação do dólar e crise econômica por trás de um linguajar estranhamente criptografado e incompreensível – o que denotava algum tipo de acordo: quem floreia demais foge à verdade – ou José Dantas, este ainda solto e poderoso, bem articulado como seu colega preso, mas portando um mandado de segurança que lhe garantia o direito de mentir sem conseqüências, nenhum deles enfim galvanizou tanto as atenções quanto Roberto Jefferson, que abriu a picada no matagal que agora estão todos transmitindo a impressão de buscar desbastar.

A renúncia do Severino Cavalcanti, após sete meses contados à frente da Câmara atraiu mais as atenções. Não a renúncia do auto-proclamado rei do baixo-clero, “contra as elitezinhas” em si; é a sucessão promete fortes emoções. Apesar de o país precisar de equilíbrio e sensatez neste momento, a disputa pela cadeira que Severino deixa vaga começa com a companheirada do Planalto num disputa interna fratricida transformando mais uma vez a sucessão numa briga de foice no escuro. Diante da política petista a gente fica sem saber se chora ou se vomita...


Lula tem somente até o final deste mês para trocar de partido

Se deseja concorrer a algum cargo público – reeleição à presidência, Senado Federal, Câmara dos Deputados Federais ou a Câmara Estadual de São Paulo – Lula, como todo o brasileiro, tem até o final de setembro para definir a que partido estará filiado.

Sua ausência nas eleições para a presidência do PT (partido que ajudou a fundar e do qual hoje se envergonha) alimentou especulações de que ele e Palocci (outro ilustre ausente) estariam sondando siglas como o PMDB, o PP ou o novo PMC (Partido da Igreja Universal do Bispo Macedo) enquanto estudam a possibilidade de reeleição para a presidência da república. A resposta pouco educada à repórter que questionou o motivo de sua ausência em votação tão importante para o PT estando o Presidente em São Paulo é emblemática: “Não votei porque não votei!”

Por fantasiosa que pareça, esta notícia, veiculada em vários blogs e grupos de bate-papo, tem um fundamento sólido: o PT se posiciona contra a política econômica de Lula, Palocci e Delfim Neto. E a política econômica rapinante, subversiva, lesiva à pátria brasileira é o grande orgulho, a “jóia da coroa” do governo Lula.

Lula tem – ou adquiriu – brilho próprio, o PT está sufocado por escândalos após escândalos, há pelo menos sete parlamentares respondendo a processo por subornos e propinas – além de umas duas dezenas de parlamentares, líderes partidários e funcionários públicos petistas comissionados por livre designação sob suspeição. O PT, enfim, encontra-se em gravíssima situação de descrédito diante da opinião pública, mas este descrédito não atinge o seu “presidente de honra”, que é evidentemente o maior responsável por toda esta confusão – o que a grande imprensa áulica ou aristocrática tudo faz para evitar que se perceba. Daí que ele tem uma semana para decidir se continua no PT ou se se filia a outra agremiação, mais afinada com o seu atual ideário e prática político-econômica. Ou se simplesmente muda de discurso e se conforma de que já será miraculoso terminar o mandato a ele outorgado pelo povo brasileiro em 2002.

Num eventual segundo mandato – o que não está, infelizmente, descartado do horizonte dos possíveis – Lula somente poderia contar com as elites bancárias, financeiras, empresariais e agroexportadoras que vêm lucrando fábulas com a sua política econômica rapinante, além do Lumpemproletariado nortista, nordestino, do Centro-Oeste e das periferias de grandes cidades, vulneráveis ao discurso populista e, com o desemprego em mais de 20% reais, completamente dependentes das muitas bolsas-esmola.

Embora uma parte significativa – a liderança – do PT tenha se envolvido num lamaçal de corrupção, malversação de recursos públicos e práticas clientelistas da mais baixa estirpe, a maior parte dos membros do Partido afeta não concordar com tais práticas e Lula ainda parece precisar delas para se manter no poder.

Vejo apenas três alternativas:

1) Lula abandona as más companhias, maus conselhos e esta política econômica fratricida;

2) O Partido (dito) dos Trabalhadores se adapta (não só na prática, como já o faz, mas no discurso também) ao Lula corrupto e clientelista que está no poder;

3) Lula muda de partido.

Difícil é imaginar intelectuais e idealistas trabalhando como outrora, presumindo que, com o dinheiro da venda de estrelinhas e adesivos se fará uma campanha limpa e honrada depois de ver o que os tesoureiros e dirigentes do PT fazem: compra de fazendas com aeroportos, uso de tráfico de influência para ganhar automóveis de quase 100 milhões de reais ou o sucesso numa campanha banal guindar um jovem “Primeiro Filho” à posição de milionário beneficiário do BNDES. Lula está de um lado, a ética e o idealismo estão de outro. Ou há uma sintonia ou uma ruptura. Sem alternativas.


Lázaro Curvêlo Chaves – 22/09/2005

 

 




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