Secretário pessoal de Lula sabia da propina

 

Em depoimento à CPI dos Bingos nesta quinta-feira, 6 de outubro, Bruno Daniel, irmão do prefeito de Santo André, Celso Daniel, informou que conversou com o Sr. Gilberto Carvalho sobre o chamado “esquema de arrecadação” da prefeitura petista de Santo André e lhe disse ter levado ele mesmo cerca de R$ 1 milhão para o então presidente do PT, José Dirceu.

Gilberto Carvalho é secretário pessoal de Lula. Secretário pessoal é aquele cara que entra no gabinete sem precisar bater, cuida da agenda e frequentemente tem acesso até mesmo à intimidade da vida pessoal do dirigente. Tem de ser, por definição, pessoa de absoluta confiança do governante. Alguém que, em circunstância alguma, faria algo sem o consentimento ou aquiescência do chefe.

Tudo indica que, assim como o partido exige de seus filiados uma contribuição financeira de cerca de 10% do salário e 30% do salário dos dirigentes que tenham cargo eletivo, o PT demanda (ou demandava) ainda uma contribuição das prefeituras comandadas pelo partido. O caso de Santo André está apontando na direção de um prefeito que descobriu formas de destinação diferente para os recursos amealhados, o que estaria na raiz de seu assassinato.

A mesma CPI, na véspera, 5 de outubro, promoveu a acareação bastante acalorada, entre Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil; o advogado Rogério Buratti, ex-secretário de Governo de Ribeirão Preto (SP) na gestão de Antonio Palocci; o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira; o ex-diretor da GTech Marcelo Rovai; e o ex-advogado da GTech Enrico Gianelli.

Marcelo Rovai exaltou-se mais e, a meu juízo, transmitiu maior credibilidade, ficando genuinamente ofendido com as exageradas demandas de recursos para o PT em Ribeirão Preto a que, diz, não cedeu. A conferir.


O esquema

Pelos indícios até aqui levantados, vai-se formando um consenso entre parlamentares de que pelo menos as prefeituras de Santo André e de Ribeirão Preto, sob o comando do PT, montaram um esquema de desvio de recursos públicos principalmente – mas não somente – de empresas de transporte coletivo e coleta de lixo. Estas verbas públicas assim desviadas deveriam seguir para engordar a “verba não contabilizada” ou Caixa Dois do partido. Em Santo André – pessoalmente intuo que em Campinas não tenha sido muito diferente – o prefeito descobriu que este dinheiro não contabilizado estava recebendo destinação outra que não a engorda dos cofres do partido. Setores que se beneficiavam com este esquema devem obrigatoriamente ser os principais suspeitos. A cúpula dirigente do Partido dos Trabalhadores, por não desejar que o esquema fosse publicamente revelado e/ou pessoas que se tornaram ricas e poderosas – impressiona muito o sucesso pessoal de petistas até então na pindaíba após uma passagem, ainda que rápida, por cargos executivos municipais pelo Brasil afora. Acrescentar – “e não apenas do PT”, além de tratar-se de um truísmo, está longe de justificar atos de um partido que se apresentava como algo diferente e defensor da ética na gestão da coisa pública.

Os políticos do PT e do PSDB não querem convocar o Sr. Antônio Palocci Filho, ex-prefeito de Ribeirão Preto e sobre quem pairam as mais negras suspeitas sob a desculpa de que o seu envolvimento poderia desarranjar a economia, “que está muito bem encaminhada”, segundo eles.

Não basta que o Ministro Presidente do Banco Central esteja respondendo a processos no STF por suspeitas de diversos ilícitos ligados à Ordem Financeira – e siga firme no cargo! – há ainda um ex-prefeito suspeito de corrupção que não pode ser convocado porque agora é Ministro da Fazenda e, contrariamente a toda a expectativa de muitos ex-militantes e simpatizantes do PT e suas propostas, está dando prosseguimento à política econômica fratricida implementada efetivamente pelo tucanato. Haja!


Desarmamento: a virada

Num primeiro momento, fiquei sinceramente persuadido de que o respeitável público seria mais uma vez engambelado pelo governo Lula e convalidaria a farsa; afinal, há mais de dois anos que o governo do PT está em campanha pelo desarmamento e conta com o poderoso apoio de praticamente toda a mídia televisiva, principal fonte de informação para a maioria da população brasileira.

O próprio encaminhamento do referendo é maquiavelicamente elaborado: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” Como o Brasil é um dos poucos países do planeta que utiliza o sistema eletrônico de votação – repudiado como pouco confiável pelas Nações do Primeiro Mundo – digita “1” quem vota “Não” e digita “2” quem vota “Sim”. Simples, não?

Bom, aos poucos vejo mais manifestações de lucidez por parte das pessoas mais simples e que se correspondem comigo e imagino possível uma reviravolta. Já existe um “estatuto do desarmamento” que restringe a um nível absurdo a possibilidade de aquisição – e mais ainda do porte – de armas de fogo. Muitos se manifestam em termos como “em qualquer outro governo eu pensaria melhor, mas um grupo suspeito de ter um projeto de poder para 20 ou 30 anos não merece a minha confiança”, etc.

Penso que a maioria esteja propensa a votar “Não”. Tanto melhor. Eu ainda penso que o voto compulsório é de um atraso injustificável num país como o Brasil. Quando é que teremos por aqui o voto facultativo?

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 06/10/2005

 

 




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