Despertando os instintos mais primitivos

 

Esta semana foi marcada por manifestações que revelam um lado primitivo, passional, dos políticos. De um lado o governo do PT espalhando escutas telefônicas, colocando parlamentares e lideranças diversas sob vigilância e contratando mercenários para investigar a vida pregressa de seus desafetos. Evidentemente negam. E negam com tanta veemência que podem vir até mesmo a ter “cada vez mais certeza de sua inocência”.

Da oposição de direita, o Senador e misto de tucano com PitBull Arthur Virgílio, informa que “se é para saber como é a vida de um homem de bem, que pesquisem à vontade”. Talvez ele mesmo acredite nisso, particularmente se repetir a si mesmo e ao público algumas vezes... Mas foi mais longe: ameaçou responder às ameaças que estariam pairando sobre sua família com uma “surra” ao presidente da república.

Lula desce o nível do debate ao rés-do-chão, utiliza-se de um linguajar surpreendentemente inapropriado para a majestade do cargo que ocupa: ensina que “é preciso deixar o otimismo na privada todos os dias e dar descarga”; sempre vocifera contra desafetos em termos bem pouco airosos.

Mas Lula é um torneiro mecânico, semi-alfabetizado e que se orgulha disso. Daí a um Senador da República, graduado e laureado, líder de um partido político, descer ao nível dele vai uma grande distância.

Menos, senhores, menos...


Lula terá encontro a sós com George W. Bush

Estão rindo da cara da gente. Como será possível um diálogo entre dois monoglotas cujo único traço de união é uma monumental ignorância, inclusive de seus próprios idiomas?


Febre Aftosa

Dentro da herança maldita, de resto factual, Lula recebeu uma estrutura funcionando precariamente e nada fez para reestruturar coisa alguma. Não há recursos para a devida fiscalização sanitária, não há recursos para a educação, a cultura, a saúde ou a segurança. Desviando o debate, promove um caríssimo referendo para que os cidadãos comuns, honestos, empregados e com endereço fixo, donos de menos de 2% das armas circulantes no país, sintam-se responsáveis pela violência que campeia solta no país. Oriunda do desgoverno, da desigualdade social, da falta de educação e cultura, do mau exemplo que vem de cima.

As estradas estão abandonadas, assim como os portos e aeroportos mas a prioridade de fazer uma obra de transposição do Rio São Francisco, sem que se debata adequadamente, segue prioritária.


Começa a Pizza

O deputado governista Sandro Mabel (PL – GO) foi inocentado por unanimidade no Conselho de Ética da Câmara. “Falta de provas”. Agora o quadro vira contra a deputada oposicionista Raquel Teixeira (PSDB – GO), que testemunhou naquela comissão haver recebido de Mabel a oferta de “R$ 1 milhão de luvas mais R$ 30 mil mensais” para que se transferisse ao PL. Sem punição a Mabel nem resposta à deputada acusadora, fica o dito pelo não dito e a Pizza começa a assar.


Grampos Telefônicos

No Brasil de Lula tornou-se prática o desrespeito à legislação, começar pelo primeiro poder que deveria respeitá-la e dar o exemplo. Diante disso e do ponto de vista técnico, colocar escuta em linhas telefônicas e aparelhos celulares é tão incrivelmente simples que o mais prudente, realmente, ainda é conversar somente ao pé do ouvido sobre assuntos mais sérios ou sigilosos, como já ensinava Tancredo Neves.

Imaginar que a convivência social possa melhorar colocando pessoas para bisbilhotar a vida alheia, escutando por trás de portas e telefones é tão incoerente quanto tudo o mais que este governo tem feito.


Dinheiro de Cuba?

A revista Veja da semana passada lançou uma reportagem de capa sobre a vinda de dinheiro de Cuba para a campanha de Lula. Uma reportagem interessante, mas apresenta pelo menos um grande problema: fundamenta-se principalmente no depoimento de dois fiéis escudeiros do ministro Antônio Palocci.

Considero improvável - nos dois sentidos do termo - a remessa de recursos cubanos para uma campanha burguesa no Brasil, particularmente da maneira indicada na reportagem. Mais provável uma articulação de Lula, Palocci e Buratti na tentativa de desacreditar aquela conceituadíssima revista. Há tempos anseiam por um mote para amordaçar ou controlar a imprensa. Os primeiros discursos e as primeiras reações de lideranças petistas e governistas sobre a reportagem vão nesta direção e estão - num governo tão desarticulado como este - dotados de uma precisão cirúrgica e tom monocórdio: “a Veja está conspirando contra Fidel, Lula e Hugo Chavez”. Impressiona inclusive a menção que todos fazem à Venezuela, sequer avençada na reportagem de Veja.

Cientes de que Veja nada fará para “desestabilizar” os rumos neoliberais da economia, sempre muito elogiados pela Revista, o Ministro Palocci e seus fidelíssimos escudeiros jogaram uma casca de banana na frente da Revista que, incrivelmente, escorregou nela...

 

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 03/11/2005

 

 




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