Palocci foge de depoimento na Câmara


Encurralado pela catadupa de denúncias de corrupção e malversação de dinheiro público – além de participação ativa na captação de recursos escusos para a campanha presidencial de Lula – o Ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho decidiu-se a antecipar seu comparecimento à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal para, fugindo do furor dos deputados, contar com a amável cortesia dos senadores – governistas e oposicionistas de direita – que todos aplaudem o fato de ele dar continuidade e mesmo agudizar a rigidez da política econômica de FHC.

Como todos se recordam, quando da eleição da Mesa Diretora dos trabalhos do Senado Federal, a oposição de direita (PFL/PSDB) ficou com a poderosa Comissão de Constituição e Justiça e o governo e seus aliados (PT/PL/PMDB) ficou com a Comissão de Assuntos Econômicos.

Trouxe dados de um país que está crescendo “de maneira sustentável” – vem cá, é possível a um país crescer de outro jeito? – como não acontecia há décadas; que o risco-país, medido por um pequeno banco privado estadunidense, nunca foi tão baixo; que há um crescimento na geração de empregos e na massa salarial dos trabalhadores. O país, pasmem os leitores, seria o Brasil...

O crescimento mais seguro e firme tem sido o do lucro dos bancos e olhe lá! Até a agropecuária sofre com as restrições a despesas por parte do próprio Ministério da Fazenda, que acabam redundando em redução na fiscalização sanitária, recrudescimento de doenças até então contidas, como a Febre Aftosa. O crescimento pífio das exportações de produtos primários é parte da herança maldita de FHC que o próprio Palocci se encarregou de elogiar desabridamente!

O tal “crescimento sustentável” do Brasil durante o período Lula foi o menor de todas as economias dos países subdesenvolvidos – estamos atrás de Argentina, México, Venezuela, Chile... No entanto Palocci insiste que “se compare o Brasil com o Brasil” e reafirma a cantilena mentirosa: “foi o maior crescimento das últimas décadas”. Não foi! Esquece-se que, por exemplo durante a ditadura militar o Brasil chegou a crescer mais de 10% em um ano. No governo Lula o melhor desempenho não chega a 3%...

Não é possível saber como é que medem estas taxas de desemprego. Na realidade o Brasil está com cerca de 30% de sua mão de obra capacitada ociosa; o número de desempregados jamais havia sido tão alto na história pátria. De onde e como tiram essa novidade de que há “crescimento na geração de empregos”? E os salários? Pelos cálculos do DIEESE seriam necessários pelo menos 5 salários mínimos para fazer face a tudo o que prevê a Constituição em termos de alimentação, moradia, vestimenta, saúde, educação e lazer para um casal com dois filhos.

Dando sinais contraditórios, o próprio governo confessa estar concedendo um número recorde de bolsas-esmola para as famílias de desempregados e desesperados deste país – o lumpemproletariado, base eleitoral de Lula em sua corrida pelo segundo mandato, sua prioridade absoluta neste momento.


Números e metodologia

Definitivamente a metodologia que essa turma está usando para embasar seus discursos precisa ser melhor esclarecida. “Com números não se discute”, dizem eles. E apresentam um rosário de contas coloridas. De que maneira a redução do custo - Brasil melhora o meu cotidiano? De que adianta essa inflação tão rigorosamente controlada a poder de juros agiotas e impostos extorsivos se cada vez gasto mais dinheiro para comprar menos coisas? Que adiantam as estatísticas informarem que “a massa salarial do trabalhador está maior” se eu não conheço um único ser humano vivo, de carne e osso, que corrobore essa história? De onde vêm esses números? Vá lá, não quero discutir com números – nem sou bom nisso – mas de que adiantam números tão rosados se o brasileiro médio está vivendo cada vez pior?


Faltou explicar...

Palocci falou, falou, falou... Repetiu os mesmos chavões para a mesma claque, que aplaudiu do mesmo jeito de sempre. Mas não explicou como é que tem tanta certeza a ponto de afirmar que não houve dinheiro estrangeiro na campanha de Lula na mesma frase em que afirma que nela não se envolveu? Não explicou a roubalheira em Ribeirão Preto, não convenceu a ninguém de sua sinceridade quanto à negativa da prática de propina na cidade que governava e deverá ser obrigado a depor antes do final do ano – havendo seriedade por parte do Senado, o que infelizmente nem sempre ocorre – na CPI dos Bingos.


Especulação

A prioridade única e absoluta de Lula neste momento, diga ele o que disser, é ser reeleito no próximo ano. Sem abrir as burras, sem o “pensar pequeno, de 4 em 4 anos”, sem comprar parlamentares e eleitores da forma chula e vil que ele vive criticando em público e praticando às ocultas, não se reelegerá. Palocci é um lacaio completamente subserviente ao Consenso de Washington, o “queridinho do mercado” que se recusa a utilizar o dinheiro dos nossos impostos para fazer algo de útil pelo Brasil; sua prioridade é remunerar o capital especulativo. Dilma Roussef se propõe a fazer alguma coisa, qualquer coisa que sirva de plataforma para que Lula tenha alguma chance de se reeleger. Pode ser por isso que o Presidente esteja reforçando o prestígio de Dilma Roussef, que instiga contra Palocci e tira do último qualquer eivor de apoio ou sustentação...

 

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 17/11/2005

 

 




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