O resultado de uma péssima idéia


Dia desses mandaram-me uma mensagem dizendo que agosto tem sido um mês trágico para o Brasil: Getúlio Vargas se matou, Jânio Quadros renunciou e Lula da Silva não se matou nem renunciou.

Lembrei-me dessa história a propósito do suicídio do general Urano Bacellar, comandante das forças de ocupação do Haiti na semana que finda.

Em primeiro lugar, devemos considerar que o Brasil não é propriamente o melhor exemplo do mundo de uma sociedade capaz de controlar a violência contra a pessoa e o patrimônio – os principais problemas que as tropas de ocupação estão enfrentando por lá.

É fundamental ainda considerar a péssima remuneração dos militares, a precariedade da alimentação das tropas e a utilização de armamento obsoleto.

Finalmente, cumpre não esquecer que as Nações poderosas – EUA à frente – delegaram a incumbência da ocupação do Haiti ao Brasil mas jamais cumpriram com o prometido envio de recursos para auxiliar na reconstrução do país.

Encontramos como resultado o Exército Brasileiro atuando meramente como polícia num contexto altamente explosivo e deficitário, ocupando uma Nação estrangeira soberana que se organiza contra as tropas de ocupação como pode, tropas perdendo o senso de moral e disciplina diante de um quadro de deterioração interna e externa surpreendente, perda de respeito por parte da população que, pretensamente, deveriam proteger, além do recebimento de ordens que, se cumpridas, conduzem as forças de ocupação a uma maior desmoralização e, no limite, até mesmo à desagregação.

Talvez se revele os motivos que conduziram o general, Homem Honrado, sério e competente, àquele gesto extremo que denuncia claramente pelo menos uma contradição gravíssima: não há saída honrosa para as tropas de ocupação do Haiti pelo Brasil. Ou saem de lá ou nossas Forças Armadas correm o sério risco de chegar, no exterior, precisamente onde a Polícia do Rio de Janeiro chegou ao intervir em morros e favelas: corrupção, falta de disciplina, perda de respeito da população...

Que os EUA estejam com suas tropas de ocupação e intervenção no exterior ocupadas com o lamaçal do Iraque e ainda estejam abrindo uma nova frente ao cercar a Região Amazônica compreende-se, embora seja injustificável: estão tratando do interesse soberano daquele país. O suicídio do general faz refletir: será que foi uma boa idéia enviar tropas de ocupação brasileiras para o Haiti?


Tapando buracos

Esta semana foi marcada ainda por uma ampla propaganda em torno do trabalho de tapa-buracos que o governo propala fazer em algumas estradas brasileiras. Embora o governo tenha ficado absolutamente imóvel diante da deterioração das condições das estradas brasileiras pelos últimos 3 anos o discurso surpreendente é: “não é porque estamos em ano eleitoral que vamos interromper nosso trabalho”. Interromper o que não havia sequer começado? Começa em ano eleitoral e não querem que façamos referência a isso? Estão subestimando dramaticamente a opinião pública brasileira. Vamos conferir se têm a razão ao tratar a população brasileira como uma massa manipulável de analfabetos políticos nas eleições de outubro próximo.


Lula e o Rato

Interessante como os sócios majoritários do FMI são competentes para zombar dos sócios pagantes e subjugados nomeando até mesmo lacaios do grande capital financeiro com nomes sugestivos como “Krueger” (O cara do pesadelo) e “Rato” para postos de direção do organismo.

Lula da Silva recebeu o Rato no Palácio do Planalto e tentou um discurso “anti-FMI”. “Pagamos a dívida com o FMI e agora já podemos andar com nossas próprias pernas”.

Foi buscar lã e voltou tosquiado: o Rato teceu elogios rasgados à submissão abjeta do Brasil (único país do mundo que cumpre voluntariamente e ipsis literis aquele antipático receituário escorchante) aos conceitos e pseudo-teorias econômicas do FMI, voltadas sempre ao fortalecimento do poderio dos Bancos sobre o mundo de maneira geral, esvaziando em poucas frases o discurso da “nova independência” proclamada pelo PT, que insiste haver sido o Brasil inventado pelo Partido. No afã de se tornarem palatáveis ao grande capital vão mais longe que os tucanos sequer ousavam – inclusive porque os tucanos contavam com a oposição ferrenha dos petistas, hoje alinhados no mesmo discurso e práticas neoliberais em economia.

O golpe de misericórdia aconteceu quando o Rato passou uma descompostura naqueles que conduzem a nossa economia pois, segundo palavras dele amplamente divulgadas na mídia, o Brasil está perdendo oportunidades de crescimento devido às práticas de juros elevados demais. Disse, em outras palavras, que o Brasil está de parabéns pela subserviência ao FMI, mas que não precisa ser tão subserviente sob o risco de seguir com crescimentos medíocres. No ano passado, por exemplo, o Brasil só ganhou do Haiti em crescimento econômico. E o Haiti é a única Nação do continente americano que sequer conta com uma organização política formal minimamente organizada! Está sob a ocupação estrangeira de tropas despreparadas, mal remuneradas e mal supridas... do Brasil!

Lula da Silva não consegue mais ouvir o povo brasileiro. Será que ouve pelo menos o Rato e reduz o arrocho sobre a população? 2006 é um ano a vermos se ele consegue ser um pouco menos subserviente que o necessário ao FMI. Resta-nos rezar muito e buscar alternativas ao encaminhamento econômico brasileiro nas eleições de outubro próximo que não sejam de Tucanos ou Parecem Tucanos.


Lázaro Curvêlo Chaves – 12/01/2006

 

 




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