A Lista de Furnas

 


Há algum tempo vem circulando pela Internet uma relação de políticos de diversos partidos que se teriam beneficiado de recursos governamentais para subvencionar suas campanhas eleitorais em 2002. Era o ano final do último governo FHC e os políticos cuidadosamente listados são todos da base de sustentação do governo passado.

A que alguém levou ao ar em www.pontoflash.com.br/furn@s/: em papel timbrado da Empresa, informa sobre detalhes da operação (quais as empresas privadas e estatais que contribuíram para as campanhas e vem com uma relação detalhada de políticos, por partido e unidade da Federação), traz ao final um detalhamento de quem foram os beneficiários, vem assinado, com firma reconhecida e autenticado.

A lista parece verossímil, embora parta de uma fotocópia do original digitalizada, traz uma espécie de certificação de autenticidade (“a ser confirmada”) emitida pelo Dr. Ricardo Molina.

É o mais completo e detalhado recibo do jabá que se tem notícia. Difícil acreditar que tenha mesmo sido emitido, assinado, autenticado e com firma reconhecida! Reforçando a autenticidade da lista, na quarta-feira o ex-deputado Roberto Jefferson, declarou que, então na qualidade de membro da base de sustentação do governo FHC, recebeu do esquema, em 2002, exatamente o valor ali constante. Na quinta-feira o Blog do Jornalista Fernando Rodrigues revelou a existência de outras listas similares, uma delas trazendo até o “Tio Patinhas” como um dos beneficiários.

De tudo isso, o mais marcante foi a solicitação feita pela Senadora Heloísa Helena (PSOL – AL) de que o ex-deputado Roberto Jefferson preste novo depoimento à CPI dos Correios para esclarecer detalhes sobre o que mais ele teria revelado à Polícia Federal na quarta-feira passada.

Dizem que onde há fumaça há fogo, mas é muito estranho o surgimento de listas tão detalhadas, aparecendo 4 anos depois e justamente no momento de maior desgaste para o grupo político de Lula da Silva, que fazia oposição ao anterior e segue fazendo a seu fantasma ou à possibilidade de retornarem ao poder.

Denúncias tão contundentes de corrupção precisam ser investigadas, seja quanto à sua autenticidade, seja no que diz respeito a quem tem mais interesse nesta divulgação neste momento.


Pior que o FMI

Há tempos os brasileiros perdemos a esperança e as ilusões de que o governo Lula da Silva traria algum tipo de mudança no encaminhamento político e econômico ( ou mesmo ético! ) em relação ao governo passado. Até hoje tem levado ao paroxismo o que os neoliberais mais convictos se envergonhariam em sequer propor.

Esta substituição da dívida externa junto ao FMI por um endividamento muito maior e a juros mais elevados que os do FMI resultaria incompreensível se não soubéssemos que o presidente do Banco Central é um banqueiro que tem defendido fortemente os interesses privados dos banqueiros privados contra o povo brasileiro.

Os EUA têm o maior endividamento do planeta Terra e os dirigentes do Brasil optaram por seguir aprofundando o endividamento brasileiro nos moldes em que os EUA o fazem: comprometimento das contas internas para desviar uma quantidade cada vez maior de recursos à iniciativa privada.

Não é socialmente aceitável que um cidadão entre armado num banco e faça uma transferência de recursos para a sua mala. Será imediatamente preso e rotulado como “ladrão”, particularmente se roubar pouco. Por outro lado, quando bancos desarmados transferem a titularidade de recursos dos correntistas para seus cofres (seja através de juros ou sob o nome de tarifas) isto é considerado socialmente aceitável. É a regra do jogo capitalista, naturalmente.

O Brasil devia U$ 15.5 bilhões ao FMI, a juros de 4% ao ano, para serem pagos em 2007. O governo literalmente tomou de empréstimo junto aos jogadores da bolsa e outras formas de especulação as mais diversas a mesma quantia em reais a juros de 17% ao ano para antecipar o pagamento e se proclamar “livre” do FMI.

Não é uma mera jogada de marketing eleitoral. É um cálculo político e econômico muito bem elaborado, muito inteligente e sofisticado: Lula aumenta o endividamento brasileiro – ultrapassamos a barreira do Trilhão de Reais em endividamento: R$ 1.000.000.000.000,00! –, aumenta o fosso social entre os mais ricos e mais pobres (sempre tomando o cuidado de manipular estatísticas para que digam o contrário) e proclama exatamente o oposto. Maquiavélico. Cada vez mais me convenço que nossa única esperança está na autogestão.

Lázaro Curvêlo Chaves – 02/02/2006

 

 




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