Um passo à frente, um passo atrás

 

Passo à frente: Relatório da CPMI dos Correios aprovado

Depois de o governo tomar o cuidado de colocar um petista na presidência da CPMI (Delcídio Amaral, PT – MS) e um deputado governista na relatoria (Osmar Serraglio, PMDB – SC) os fatos se precipitaram de tal maneira que não houve meios de Serraglio negar a existência do mensalão – recursos públicos voltados ao pagamento periódico em troca da compra da consciência de deputados venais para votar com o governo, contra o povo brasileiro – e olvidar o envolvimento de cerca de 100 figuras públicas.

Com o aplauso dos brasileiros, 17 senhores parlamentares votaram a favor da aprovação do Relatório de Osmar Serraglio, 4 parlamentares petistas votaram contra o relatório, a bancada do PMDB ficou em cima do muro, pediu tempo e acabou sem votar; o mesmo para vários outros parlamentares da base governista, principalmente PT e PC do B que, contrariando o regimento comum das duas Casas do Congresso, o bom senso e a honra, esbravejaram, xingaram (o senador petista Delcídio Amaral prometeu entrar com uma representação junto ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra o deputado petista Jorge Bittar, que aos brados, xingamentos e ameaça de agressão física tentou barrar a votação) e, ao fim e ao cabo, prometem entrar com recursos e fazer o possível e o impossível para buscar desqualificar o Relatório. Será que estes parlamentares estão esquecidos de sua sobrevida política neste ano eleitoral? Será que apostam que Lula, se reelegerá, garantindo-lhes alguma sinecura?

O Relatório final de Osmar Serraglio, surpreendentemente corajoso, embora ainda fique um tanto a desejar pois, mesmo diante de todas as evidências encontradas decidiu-se por poupar o presidente Lula de implicação direta nos crimes apontados, já é de conhecimento público e já foi aprovado, principalmente, pelo povo brasileiro. Enganam-se aqueles que desejam minar “no tapetão” a tímida vitória conquistada.


O passo atrás: segue a pizza na Câmara dos Deputados

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, depois de analisar em detalhes o profundo envolvimento do deputado federal João Paulo Cunha (PT – SP) no esquema de mensalão coordenado por Marcos Valério a pedido da cúpula petista, além de haver se utilizado do cargo de presidente da Câmara dos Deputados (que então ocupava) para cobrir gastos pessoais com pesquisas de opinião e até mesmo se envolvendo numa campanha caríssima para sua eleição à presidência da Casa (sendo ele o único candidato !!!).

O plenário da Câmara, ao invés de tomar por base o relatório lúcido, abrangente e contundente do deputado federal Cézar Schirmer (PMDB – MG), pela cassação, tomou como base o corporativismo reinante, absolveu mais um mensaleiro, elevando o número de impunes para 10 e deixando o Conselho de Ética numa posição delicadíssima. De que serve um Conselho de Ética na Câmara se a Casa não lhe segue a orientação?


Conselho de Ética para lamentar

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara tem vivido dias para lamentar: passam meses a fio recolhendo provas, ouvindo testemunhas e examinando documentos sigilosos para concluir se um de seus pares deve realmente – ou não – ser cassado por quebra de decoro. Encaminham suas recomendações de cassação e estas quase nunca são acatadas pelo plenário que, através do artifício do voto secreto, vem absolvendo a maioria dos deputados que comprovadamente (muitos até confessadamente) se beneficiaram do esquema do mensalão através dos recursos públicos alocados por vias transversas a Marcos Valério. A Deputada petista Ângela Guadagnin, ex-prefeita de São José dos Campos, chegou mesmo a criar a “dança da pizza” para comemorar a absolvição do mensaleiro confesso e seu colega de bancada, o deputado João Magno (PT – MG). O PPS entrou com uma representação contra ela por “quebra de decoro”, ela foi afastada imediatamente e reinstituída no Conselho por decisão do presidente da Câmara, Aldo Rebelo. Ficou um dia no Conselho e foi novamente afastada pelo presidente do Conselho, Ricardo Izar, que não reconhece a competência do presidente da Câmara em deliberação interna ao Conselho de Ética.

Nesta quinta-feira 9 deputados anunciaram seu pedido de afastamento daquele Conselho alegando que estão – e realmente o estão... – “fazendo papel de palhaços”. A pedido do presidente do Conselho, voltaram atrás pelo menos até o julgamento do próximo mensaleiro, o deputado Vadão Gomes (PP – SP). Fincou pé o deputado Júlio Delgado (PSB – MG) e, quando termino estas notas voltam a anunciar que sairão daquele conselho também os deputados Chico Alencar (PSol – RJ), Orlando Fantazzini (PSol – SP) e Cézar Schirmer (PMDB – RS) mas, naturalmente, podem mudar de idéia novamente algumas vezes antes da publicação destas notas. Sinal dos tempos...

 

 

Lázaro Curvêlo Chaves 06/04/2006

 





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